Alex Escobar revelou que ouviu do neurologista Felipe Schmidt que poderia ter apenas mais um ano de vida caso um tumor no timo não tivesse sido descoberto.
Em entrevista dada ao Fantástico nesse domingo (13/9) o jornalista recebeu o diagnóstico de miastenia gravis depois de enfrentar dificuldades para falar durante uma transmissão ao vivo na cobertura da Copa do Mundo, em Nova Jersey, nos Estados Unidos.
Segundo Escobar, a avaliação médica apontou que o tumor poderia ter consequências graves caso permanecesse sem identificação. Ao relembrar a conversa com o neurologista, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a Uerj, ele contou o que ouviu do especialista:
“O doutor Felipe, neurologista, falou: ‘Você tinha, acho, mais um ano de vida. Poderia morrer de infarto sem saber que tinha um tumor’”, contou em entrevista ao Show da Vida.
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do Metrópoles
Como tudo começou
A descoberta aconteceu durante a investigação que começou após o jornalista apresentar alterações na fala. Na época, ele já vinha percebendo que havia algo diferente enquanto se alimentava. Cerca de dois meses antes da viagem para a Copa, Escobar passou a notar que conseguia começar uma refeição normalmente, mas, depois de algum tempo, encontrava dificuldade para abrir a boca e continuar mastigando.
O problema voltou a aparecer durante o café da manhã no dia em que participaria ao vivo do SportTV News. Escobar entrou na transmissão mesmo com a dificuldade e percebeu, diante das câmeras, que algumas palavras não saíam como deveriam.
“Minha língua estava dura, que é um sintoma da doença, da miastenia”, relatou.
Durante a participação no Encontro, ele chegou a repetir a frase “Neymar treinou” para tentar concluir a entrada. A situação chamou a atenção de quem acompanhava o programa e também gerou especulações nas redes sociais. Escobar, porém, explicou que estava lúcido durante todo o episódio.
“Eu estava completamente consciente do que estava acontecendo”, afirmou.
Suspeita de esclerose múltipla
Depois da transmissão, o jornalista foi levado a um hospital e ficou internado por dois dias. Os exames realizados nos Estados Unidos descartaram a possibilidade de um acidente vascular cerebral, o AVC. Naquele momento, os médicos chegaram a levantar a hipótese de esclerose múltipla.
De volta à investigação médica, Escobar encaminhou os resultados ao clínico Emanuel, no Brasil. A suspeita de esclerose múltipla foi descartada, mas os exames mostraram uma massa no mediastino, área situada no centro do tórax.
Ainda sem uma resposta definitiva sobre o que estava acontecendo, o jornalista retornou sozinho ao Brasil. A viagem, segundo ele, foi particularmente difícil porque não havia recebido um diagnóstico conclusivo.
“Eu peguei um avião sozinho, voltando para casa e no escuro. Eu não tinha a menor ideia do que eu tinha. Podia ser tudo”, contou.
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Alex Escobar.
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Sintomas de miastenia gravis de Alex Escobar podem confundir médicos
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Alex Escobar, Cesar Culiche, Luana Montone e Flávio Winter
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Alex Escobar é afastado temporariamente da cobertura da Copa do Mundo
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Entenda a miastenia gravis
Já no Rio de Janeiro, Escobar passou pela avaliação do neurologista Felipe Schmidt. Foi a partir dessa consulta que surgiu a suspeita de miastenia gravis, uma doença autoimune rara que interfere na comunicação entre os nervos e os músculos.
Na prática, o sistema imunológico passa a atacar, por engano, essa comunicação, provocando perda de força muscular. Os sinais podem aparecer de diferentes maneiras, incluindo queda das pálpebras, visão dupla e dificuldade para mastigar, falar, engolir ou segurar objetos. O esforço tende a intensificar a fraqueza, enquanto períodos de descanso podem proporcionar melhora.
A condição geralmente não tem cura, mas pode ser controlada com tratamento. Em alguns casos, os pacientes conseguem entrar em remissão ou reduzir significativamente os sintomas, mantendo uma rotina normal ou próxima disso.
No caso de Escobar, a investigação ainda levou à identificação de um tumor no timo, glândula localizada no centro do peito, atrás do esterno. O órgão participa do desenvolvimento das células de defesa principalmente durante a infância e perde parte de sua função na fase adulta.
A presença de alterações no timo pode estar associada à miastenia gravis. Diante do tumor encontrado nos exames de Escobar, os médicos recomendaram a retirada por meio de cirurgia.
Foi justamente a descoberta que fez o jornalista enxergar de outra maneira todo o processo vivido até chegar ao diagnóstico.
“Eu fui salvo pelo gongo. O gongo se chama miastenia. Então, tudo que eu tenho passado de perrengue, eu passo agradecendo”, afirmou.
Retorno à televisão
Enquanto segue o tratamento e ajusta os medicamentos, Escobar pretende voltar gradualmente à rotina profissional. A primeira etapa deve ser a gravação de textos em off, sem a necessidade de aparecer diante das câmeras. Depois, a ideia é realizar programas-piloto para observar como o organismo responde novamente ao trabalho.
O jornalista ainda não está livre de todos os sintomas. Segundo ele, o tratamento medicamentoso continua sendo ajustado e uma eventual dificuldade para falar ainda pode acontecer durante uma transmissão.
“Os médicos dizem que a gente vai chegar num momento em que vai haver um ajuste de medicamento em que eu não vou ter mais sintoma. Esse momento não chegou totalmente ainda”, afirmou.
Escobar também pediu compreensão caso apresente alguma limitação ao vivo durante esse período de adaptação. Ele explicou que, se a fala voltar a sofrer alguma alteração, pretende aguardar alguns segundos até que consiga se recuperar.
“Eu só vou precisar de 30 segundinhos para que tudo volte ao normal. Então, não se assustem”, disse.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Fábia Oliveira.

