Oito meses depois de o grupo do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) acusar o presidente Lula (PT) de plagiar um slogan do seu governo, a campanha de Tarcísio também plagiou a mensagem e foi proibida de seguir fazendo isso por decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP).
Em dezembro, o governo paulista fez um balanço das ações de sua gestão em 2025 e utilizou como slogan da gestão estadual a frase “coragem para fazer o impossível”, destacando a retomada de obras e projetos que estavam parados. Desde então, esse passou a ser o mote de campanhas do governo, pagas com recursos públicos.
Na estreia do programa eleitoral, já às 5h23 de sexta-feira (28), a candidatura de Tarcísio levou esse mesmo slogan para a televisão, o que foi imediatamente questionado pela campanha de Fernando Haddad (PT), que solicitou ao TRE a suspensão da peça e do uso da expressão.
A juíza Domitila Manssur reconheceu que a expressão “coragem pra fazer o impossível” constitui “mote reiteradamente empregado em campanha publicitária institucional do Governo do Estado de São Paulo” e que foi empregada também pela campanha de Tarcísio.
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do Metrópoles
“Não se está, portanto, diante da utilização isolada de palavra de uso corrente ou de mera aproximação temática. A propaganda eleitoral reproduz praticamente a mesma frase utilizada como mote da publicidade institucional — com alteração apenas de ‘pra’ para ‘para’ — e o faz justamente em contexto destinado a apresentar realizações do candidato no exercício do cargo de Governador“, escreveu a juíza.
Na decisão, ela determinou que a campanha de Tarcísio deixe de veicular e se abstenha de reapresentar a inserção. Além disso, o governador está proibido de utilizar, em sua propaganda eleitoral, a expressão “coragem para fazer o impossível”.
“A medida não impede os representados de abordar realizações da gestão, utilizar os vocábulos ‘coragem’, ‘possível ou ‘impossível’, ou desenvolver narrativas em torno desses conceitos”, ela reiterou. Tarcísio agora tem usado a expressão “coragem para entregar resultados”.
A legislação eleitoral proíbe o uso, na propaganda eleitoral, de “símbolos, frases ou imagens, associadas ou semelhantes às empregadas por órgão de governo”. É a mesma regra que fez o TRE barrar uma propaganda de Zé Dirceu com o Zé Gotinha.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Demétrio Vecchioli.

