O governo de Donald Trump voltou a pressionar o Brasil sobre o combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas. Trump critica governo brasileiro por combate ao PCC e Comando Vermelho em um decreto divulgado nesta quarta-feira (16), no qual a Casa Branca afirma que o país precisa adotar medidas mais enérgicas contra as duas facções.
Segundo o documento norte-americano, o governo brasileiro teria falhado em enfrentar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), organizações que os Estados Unidos classificam como organizações terroristas estrangeiras.
Ao mesmo tempo, o Brasil não aparece na relação apresentada pelo governo norte-americano de principais países de trânsito ou produtores de drogas ilícitas. Ainda assim, o decreto faz uma referência específica ao país ao tratar da atuação das organizações criminosas.
Casa Branca fala em distribuição global de cocaína
No trecho dedicado ao Brasil, o governo Trump afirma que o PCC e o Comando Vermelho teriam transformado o país em um centro de distribuição de cocaína.
A Casa Branca também sustenta que o governo brasileiro precisa tomar medidas consideradas urgentes para enfrentar as organizações criminosas.
O texto afirma que essas organizações representam, na avaliação do governo norte-americano, uma ameaça crescente à segurança internacional.
A formulação faz parte da política do governo Trump de ampliar a pressão contra organizações envolvidas com tráfico internacional de drogas e crime organizado. Em março de 2026, a Casa Branca já havia determinado que os Estados Unidos e seus aliados deveriam atuar para enfraquecer cartéis e organizações criminosas estrangeiras.
Brasil fica fora da lista principal de países de trânsito de drogas
Apesar das críticas, o decreto não inclui o Brasil na lista de países identificados pelos Estados Unidos como principais locais de trânsito ou produção de drogas ilícitas.
A distinção é relevante porque o documento faz uma crítica específica à atuação de organizações criminosas brasileiras sem colocar o país na relação principal mencionada no decreto.
A política antidrogas do governo Trump tem como objetivo declarado reduzir a entrada de drogas ilícitas nos Estados Unidos e pressionar países considerados relevantes para as cadeias internacionais de produção e distribuição. A estratégia nacional de controle de drogas divulgada pela Casa Branca em maio de 2026 também estabelece ações contra organizações de tráfico e redes internacionais.
PCC e Comando Vermelho foram classificados pelos EUA
O governo norte-americano passou a tratar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras em 2026, medida que provocou reação do governo brasileiro.
A classificação é uma decisão do governo dos Estados Unidos e não altera, por si só, a classificação jurídica dessas organizações dentro do ordenamento brasileiro.
No Brasil, o debate envolve questões relacionadas à soberania, à cooperação internacional e aos instrumentos jurídicos utilizados no combate ao crime organizado.
A posição do governo brasileiro contrasta com a avaliação apresentada pela Casa Branca sobre a necessidade de intensificar o enfrentamento às duas facções.
Governo brasileiro contestou classificação americana
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva se posicionou contra a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
Entre os argumentos apresentados pelo governo brasileiro está a preocupação com possíveis efeitos da medida sobre a soberania nacional e sobre a forma como o combate às organizações criminosas é conduzido dentro do país.
A discussão ganhou dimensão política em 2026 porque diferentes setores do cenário brasileiro passaram a defender posições distintas em relação à medida adotada pelos Estados Unidos.
Flávio Bolsonaro apoiou classificação
O senador Flávio Bolsonaro (PL), que integra o campo de oposição ao governo Lula, defendeu a classificação das duas facções como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
Segundo informações publicadas anteriormente, ele chegou a pedir diretamente a Donald Trump que adotasse a medida durante uma viagem a Washington.
A posição contrasta com a do governo federal brasileiro, que rejeitou a classificação norte-americana.
Pressão dos EUA ocorre em meio à política antidrogas de Trump
A nova manifestação da Casa Branca ocorre em um momento de intensificação da política norte-americana contra organizações criminosas e redes internacionais de tráfico.
Em julho, o governo Trump anunciou US$ 277 milhões adicionais para o programa High Intensity Drug Trafficking Areas (HIDTA), voltado ao apoio de operações contra organizações de tráfico de drogas.
Em setembro, a Casa Branca também divulgou um alerta sobre análogos do fentanil e afirmou que a administração Trump vem ampliando ações para interromper o fluxo de drogas para os Estados Unidos.
Nesse contexto, a menção ao Brasil no decreto acrescenta uma nova dimensão à discussão sobre segurança, tráfico internacional e cooperação entre os dois países.
O que o decreto diz sobre o Brasil
Em síntese, o documento divulgado nesta quarta-feira:
- critica a atuação do governo brasileiro contra PCC e Comando Vermelho;
- afirma que as duas organizações são classificadas pelos EUA como organizações terroristas estrangeiras;
- cita o Brasil como um centro de distribuição global de cocaína, segundo a avaliação da Casa Branca;
- cobra medidas mais enérgicas contra as facções;
- e, ao mesmo tempo, mantém o Brasil fora da lista principal de países de trânsito ou produção de drogas ilícitas.
A manifestação representa mais um capítulo das divergências entre Washington e Brasília em torno da política de segurança e do tratamento jurídico dado às organizações criminosas brasileiras.

