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Trump e Delcy têm encontro em NY em meio a acordo por petróleo venezuelano

Trump e Delcy têm encontro em NY em meio a acordo por petróleo venezuelano
Carla Sena/Arte Metrópoles

Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Venezuela, Delcy Rodríguez, terão um encontro nesta terça-feira (22/9), em Nova York, durante a Assembleia-Geral das Nações Unidas. Será a primeira conversa presencial entre os dois desde que forças americanas capturaram o então presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro.

O encontro ocorrerá à margem da programação oficial da ONU, durante uma recepção oferecida por Trump a líderes mundiais. Segundo o embaixador dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Mike Waltz, trata-se de uma conversa informal, e não de uma reunião bilateral formal.

Apesar do formato, a reunião ocorre em meio ao rápido estreitamento das relações entre Washington e Caracas e à negociação de acordos para exploração de recursos venezuelanos.

A delegação comandada por Delcy iniciou nessa segunda-feira (21/9), em Nova York, agendas com autoridades e instituições financeiras sobre energia, dívida e mineração.

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do Metrópoles

A visita de Delcy aos Estados Unidos é a primeira desde que ela assumiu a Presidência da Venezuela, em janeiro, após a captura de Maduro pelas forças norte-americanas em janeiro. Ela chegou a Nova York na manhã dessa segunda e foi recebida no aeroporto pelo principal diplomata dos EUA na Venezuela, John Barrett.

Antes do encontro com Trump, Delcy também se reuniu separadamente com o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ilan Goldfajn, com a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e com o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga.

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Petróleo no centro da aproximação

A aproximação entre os dois governos ganhou uma dimensão econômica importante com o acordo anunciado por Trump no fim de agosto, envolvendo reservas de petróleo venezuelanas.

Segundo a Casa Branca, o pacto garante aos Estados Unidos o controle majoritário sobre mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo da Venezuela. O acordo envolve 17 campos petrolíferos, concedidos por 100 anos a uma empresa privada venezuelana, e prevê direitos de governança e participação econômica do governo americano.

Trump apresentou o acordo como uma forma de ampliar a segurança energética dos Estados Unidos e impulsionar a recuperação econômica da Venezuela. A Casa Branca afirma que a iniciativa prevê investimentos no setor e aumento da produção petrolífera. 

O pacto, porém, gerou questionamentos dentro da Venezuela sobre a participação estadunidense nos recursos naturais do país. Delcy afirmou anteriormente que a Venezuela manterá a posse e a soberania sobre o petróleo, enquanto Trump declarou que os Estados Unidos terão controle majoritário sobre as reservas envolvidas no acordo.

Além do petróleo, empresas americanas avançam em outros setores da economia venezuelana. Neste mês, a produtora de petróleo Continental Resources assinou um memorando de entendimento para atuar na Faixa do Orinoco. A empresa de investimentos Heeney Capital também firmou um contrato relacionado à operação e à exportação de uma mina de ouro.

Outro acordo está em negociação com a ExxonMobil, que poderá retornar aos campos petrolíferos venezuelanos, segundo pessoas próximas às conversas.

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Dívida e reconstrução

A agenda de Delcy em Nova York também envolve a tentativa de reorganizar as finanças venezuelanas. O governo anunciou em maio o início da reestruturação da dívida soberana e da estatal petrolífera PDVSA, estimada por analistas entre US$ 150 bilhões e US$ 200 bilhões.

As conversas nos Estados Unidos devem tratar da reestruturação da dívida, além de energia e mineração, e podem resultar em novos acordos ligados ao plano de reconstrução dos principais setores da economia venezuelana.

O BID também prepara um plano de atuação de dois anos no país, com foco em setores como energia elétrica e proteção social. A iniciativa inclui missões para avaliar a situação macroeconômica venezuelana e estimar as necessidades de investimento.

Transição política

A aproximação econômica ocorre enquanto o futuro político da Venezuela ainda está em discussão.

Delcy, que era vice-presidente de Maduro, assumiu o comando do país após a operação norte-americana que retirou o líder chavista do poder. Desde então, Washington passou a supervisionar a administração interina e a negociar diretamente com o novo governo.

Trump afirmou no início deste mês que a Venezuela ainda não estaria preparada para realizar novas eleições. O presidente americano disse, porém, que os Estados Unidos mantêm uma relação positiva com o governo de Delcy.

“Simplesmente não me parece que eles estejam prontos ainda. Sabe, é algo muito recente. Nós os tiramos de uma ditadura e estamos nos dando muito bem com o governo”, afirmou Trump.

Delcy, por sua vez, declarou que a Venezuela realizará eleições quando estiver “pronta”.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, havia afirmado em agosto que Washington esperava uma transição política na Venezuela em meses, e não em anos. Segundo Rubio, o processo deveria envolver diálogo entre governo e oposição e uma etapa de reconciliação nacional antes da realização de uma eleição considerada legítima por Washington.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Manuela de Moura.

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