Trump mira África do Sul e restringe vistos por suposto “racismo reverso”
Medida do governo dos EUA mira pessoas ligadas a políticas de expropriação de terras, discriminação por raça e incitação à violência
Presidentes Cyril Ramaphosa e Donald Trump, da África do Sul e dos Estados Unidos da América (Crédito: Reprodução YouTube @CNBCtelevision)
O governo dos Estados Unidos anunciou uma nova política para restringir a concessão de vistos a cidadãos estrangeiros. Dessa vez, o grupo atingido está ligado a medidas que Washington considera discriminatórias contra minorias raciais na África do Sul. A decisão foi divulgada na última terça-feira (15/9) pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio.
Segundo o secretário, poderão ser atingidas pessoas consideradas responsáveis ou cúmplices na criação de políticas que permitam a expropriação de terras sem indenização, promovam discriminação baseada em raça ou estimulem violência contra grupos étnicos e raciais minoritários. O anúncio não revelou os nomes de alvos das restrições.
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Trump em reunião bilateral com o presidente da República da TurquiaCrédito: Reprodução YouTube @WhiteHouse Presidente da África do Sul, Cyril RamaphosaCrédito: Reprodução YouTube @PresidencyZA Passaporte dos Estados UnidosCrédito: Reprodução Reddit – @low_syllabub_1000 Exemplo de visto americano com carimbosCrédito: Carlos Severo – Fotos Públicas
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A legislação permite que uma propriedade seja desapropriada mediante compensação considerada nula. Porém, o governo Trump sustenta que determinadas medidas adotadas pela capital do país, Pretória, prejudicam a minoria branca, especialmente os africâneres, grupo formado majoritariamente por descendentes de colonizadores europeus.
A medida amplia o desgaste diplomático entre os governos de Donald Trump e Cyril Ramaphosa. Desde o retorno de Trump à Casa Branca, Washington vem criticando principalmente as políticas sul-africanas de reforma agrária e de combate às desigualdades raciais construídas durante o apartheid. O país tenta reduzir uma profunda desigualdade na distribuição de propriedades rurais provocada por décadas de políticas racistas e segregacionistas.
A África do Sul contesta a interpretação americana. Nesta quarta (16/9), o Ministério das Relações Exteriores sul-africano afirmou que as restrições partem de uma representação equivocada das políticas adotadas pelo país e defendeu que as divergências sejam tratadas pelos canais diplomáticos.
Pretória nega que exista uma política de perseguição à população branca. O governo de Ramaphosa afirma que suas iniciativas têm como objetivo enfrentar desigualdades econômicas e raciais que permanecem mais de três décadas depois do fim oficial do apartheid.
A tensão já havia provocado outras medidas de Washington. O governo Trump cortou ajuda destinada à África do Sul e adotou políticas favoráveis ao reassentamento de africâneres nos Estados Unidos.
Por enquanto, o governo americano não informou quantas pessoas poderão ser impedidas de entrar nos Estados Unidos nem divulgou uma lista dos atingidos.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Leo Dias por Heloísa Cipriano.

