A combinação entre praia, natureza e experiências personalizadas impulsiona o turismo de alto padrão no Brasil. Serviços exclusivos e vivências que não são replicadas têm atraído, cada vez mais, os brasileiros para destinos nacionais.
Segundo o Anuário BLTA 2026, elaborado pela Brazilian Luxury Travel Association em parceria com o Centro Universitário Senac, cerca de 70% da ocupação nos hotéis de luxo é feita por brasileiros.
Para a CEO da BLTA, Camilla Barretto, o dado demonstra um interesse crescente dos viajantes pelo próprio país, principalmente no pós-pandemia.
“Tivemos uma grande mudança de comportamento, o público que antes buscava destinos internacionais, agora resolveu descobrir o Brasil. Buscando mais conexão com a natureza, cultura local e experiências de bem-estar”, ressalta.
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do Metrópoles
Em 2025, a rede hoteleira de luxo brasileira movimentou cerca de R$ 3,34 bilhões. Foram aproximadamente 1 milhão de hóspedes com diárias médias de R$ 3 mil.
Destinos mais procurados
O Rio de Janeiro aparece na liderança entre os destinos nacionais mais procurados pelos viajantes nas operadoras especializadas em luxo. O destino foi citado por 51% das operadoras participantes do Anuário BLTA 2026.
Angra dos Reis (RJ) é uma das grandes preferências para esse público, com ilhas mais reservadas e estrutura de alto padrão.
Além disso, o Rio de Janeiro tem atraído pela combinação de paisagens de tirar o fôlego, cultura, gastronomia, hotelaria e vida urbana.
Na sequência aparece Foz do Iguaçu, com 40% das buscas, e representa o desejo de vivenciar experiências de natureza junto às Cataratas.
Além disso, o Pantanal aparece com 24% das preferências. Um destino que permite explorar um dos principais patrimônios naturais do país com propostas de hospedagem e experiências de observação da fauna.
E a lista ainda segue com Maranhão (19%), litoral da Bahia (17%), Salvador (16%), São Paulo (14%), litoral do Ceará (14%) e Fernando de Noronha (10%).
“Vivemos em um mundo tão conectado, que o verdadeiro luxo é ter um momento de atenção plena. É aquele que é feito para você e que não é replicável.”
Camilla Barretto, CEO da BLTA
O novo luxo é feito de experiências
Se antes a ideia de luxo estava fortemente associada à estrutura física do hotel, os dados mais recentes indicam que o viajante de alto padrão está valorizando cada vez mais o que acontece durante a estadia.
No levantamento da BLTA, bem-estar, spa e relaxamento foram apontados por 93% dos empreendimentos como atividades procuradas pelos hóspedes.
Em seguida aparece a gastronomia de alto padrão, mencionada por 87%, além de serviços personalizados, citados por 65%, e atividades e experiências VIP, presentes nas respostas de 53% dos participantes.
O viajante brasileiro quer experiências personalizadas, curadoria e exclusividade. Há uma valorização crescente de bem-estar, que deixou de ser apenas uma tendência para ganhar protagonismo.
Melissa Fernandes, diretora de atendimento da agência de luxo Teresa Perez
De acordo com Melissa, há também uma maior procura por hotéis boutique, propriedades diferenciadas, eventos esportivos e contato com a natureza.
Para o mercado de alto padrão, a infraestrutura é justamente o que permite transformar uma experiência remota ou exclusiva em um produto comercialmente viável.
Hotelaria qualificada, transporte, conectividade aérea, atendimento personalizado e capacidade de organizar diferentes etapas da viagem são componentes essenciais.
A presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens Nacional (Abav Nacional), Ana Carolina Medeiros, explica que o luxo está inserido em tudo.
“É a roupa de cama de uma qualidade superior à hotelaria convencional, experiência gastronômica com chefes de cozinha renomados e produtos refinados, quarto de acordo com o gosto do cliente”, exemplifica.
Gastronomia
Uma viagem de alto padrão pode incluir restaurantes de referência, menus degustação e harmonização com vinhos, visitas a produtores, experiências privadas de cozinha e roteiros baseados nos ingredientes e tradições de determinada região.
No Brasil, esse conceito encontra um território particularmente favorável. A diversidade regional permite construir roteiros gastronômicos muito diferentes entre si.
Na Bahia, por exemplo, a gastronomia integra uma experiência que combina cultura, história e litoral. O próprio Ministério do Turismo destaca a culinária baiana, com referências como acarajé e moqueca, como parte da identidade turística do estado.
No Sul e no Sudeste, o enoturismo e os produtos artesanais também criam oportunidades. Destinos ligados a vinhos e cafés especiais despontam como parte das tendências para 2026, incluindo Espírito Santo do Pinhal (SP) e a Serra da Canastra (MG).
Para a presidente da Abav Nacional, o país tem um grande potencial para o turismo de luxo. “O Brasil é um destino que pode ser visitado o ano inteiro. E o público desse segmento viaja mais de uma vez ao ano, são empresários, autônomos que estão dispostos a vivenciar experiências, ao mesmo tempo, muito atentos às responsabilidades ambientais”, destaca.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Cibele Moreira.

