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Turista denuncia abuso sexual durante festival indígena no Acre; Polícia Civil investiga

Festival Mariri ocorreu entre 26 e 31 de agosto em Tarauacá, interior do Acre — Foto: Reprodução/Instagram/arquivo

Uma turista de 31 anos, natural do Rio Grande do Sul, denunciou à Polícia Civil ter sido vítima de abuso sexual enquanto participava do Festival Mariri Yawanawá, realizado na Terra Indígena Rio Gregório, em Tarauacá, no interior do Acre. A turista denuncia abuso sexual no Festival Mariri após relatar que um homem entrou na barraca onde ela dormia com a filha de 9 anos.

O episódio teria ocorrido na madrugada do último dia do festival, realizado entre 26 e 31 de agosto. No dia seguinte, a mulher deixou a terra indígena e seguiu para Cruzeiro do Sul, onde registrou um boletim de ocorrência.

Segundo o delegado José Ronério, testemunhas deverão ser ouvidas e outras diligências serão realizadas para identificar o suspeito.

“Vamos iniciar as oitivas com as testemunhas e os procedimentos cabíveis para esse caso. No depoimento, ela menciona uma pessoa, mas não identificamos ainda, estamos nas diligências para identificar quem é ele”, afirmou.

Apesar de a ocorrência ter sido registrada em Cruzeiro do Sul, a investigação deverá ficar sob responsabilidade da Polícia Civil em Tarauacá, onde o suposto crime teria ocorrido.

Mulher relata que homem entrou na barraca durante a madrugada

De acordo com o depoimento prestado à polícia, a turista contou que acordou com um homem passando as mãos em seu corpo e afirmou que ele tocou suas partes íntimas.

A filha de 9 anos estava dormindo na mesma barraca. Segundo o relato da mãe, o homem teria precisado passar pelo local onde a criança estava deitada para chegar até ela.

Por essa razão, a turista levantou a possibilidade de a menina também ter sido tocada. Questionada pela mãe, a criança teria dito que não sabia informar, pois acordou com os gritos. A própria mulher declarou acreditar que ela, e não a filha, era o alvo do suspeito.

Conforme o depoimento, o homem fugiu e deixou um celular dentro da barraca. Minutos depois, teria retornado para procurar o aparelho. Nesse momento, a mulher saiu da barraca, gritou e exigiu que ele fosse embora.

Outros visitantes se aproximaram e o suspeito fugiu novamente.

Turista afirma que suspeito chegou a ser detido no local

A mulher relatou ainda que pessoas responsáveis pela segurança do evento teriam conseguido deter o homem inicialmente, mas ele teria sido liberado posteriormente.

Ela afirmou que essas pessoas se apresentaram como policiais, mas não soube esclarecer se eram efetivamente agentes de segurança pública ou integrantes da segurança particular do festival.

Outro ponto relatado à Polícia Civil foi uma suposta pressão para que o caso não fosse denunciado.

Segundo a turista, ela teria recebido uma abordagem que considerou hostil por parte do cacique da aldeia e também teria ocorrido tentativa de integrantes da organização para convencê-la a não registrar a ocorrência.

Essas alegações integram o relato da denunciante e deverão ser apuradas durante a investigação.

A mulher disse que permaneceu no local durante o restante do dia com medo de que algo pudesse acontecer até conseguir seguir para Cruzeiro do Sul.

Ela também informou que não faria exame de corpo de delito e que não autorizaria a filha a passar pelo procedimento por considerar a situação constrangedora para a criança.

Associação Yawanawá repudia episódio

A Associação Sociocultural Yawanawá (ASCY), responsável pelo festival, divulgou nota repudiando o episódio e manifestando solidariedade à denunciante.

Segundo a entidade, o homem mencionado no relato possui ascendência materna Yawanawá e paterna Arara, mas não integra o Povo Yawanawá, a organização do festival ou a Aldeia Yawarani, onde o evento foi realizado.

A associação afirmou que ele estava no festival como visitante de outra aldeia e ressaltou que eventual responsabilidade pelo episódio é individual e não deve ser atribuída às comunidades indígenas.

“A violência contra a mulher não faz parte da cultura Yawanawá, não integra nossos modos de vida e jamais será tolerada em nosso território”, declarou a entidade.

A ASCY também informou estar à disposição para colaborar com as autoridades e prestar apoio à vítima.

Polícia Civil tenta identificar suspeito

Até o momento das informações divulgadas, a identidade do homem apontado no depoimento ainda não havia sido oficialmente confirmada pela Polícia Civil.

A investigação deverá avançar com oitivas de testemunhas e outras diligências para esclarecer as circunstâncias do episódio, identificar o suspeito e apurar os diferentes relatos relacionados ao caso.

O Festival Mariri é uma das principais celebrações do Povo Yawanawá e recebe visitantes do Brasil e de outros países para atividades relacionadas às tradições culturais e espirituais da comunidade.

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