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Uefa celebra fim do projeto da Fifa que privatizaria a Copa do Mundo

Uefa celebra fim do projeto da Fifa que privatizaria a Copa do Mundo
Uefa celebra fim do projeto da Fifa que privatizaria a Copa do Mundo

A Uefa comemorou neste sábado (1º/8) a decisão da Fifa de abandonar o projeto que previa a venda de uma participação minoritária dos direitos comerciais de suas principais competições, incluindo a Copa do Mundo. Em comunicado, a entidade europeia afirmou que “o futebol não está à venda” e voltou a fazer duras críticas à gestão do presidente Gianni Infantino.

Veja o comunicado:

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Confira íntegra:

A UEFA saúda a decisão da FIFA de retirar o plano de vender participações em suas competições — incluindo a Copa do Mundo — para a iniciativa privada.

A proposta foi rejeitada de forma unânime pelas associações nacionais da UEFA e por diversas outras federações e confederações de todos os portes ao redor do mundo, cujo dever é proteger o futebol.

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do Metrópoles

A UEFA agradece a todos os torcedores, ligas, clubes, jogadores, cidadãos, associações e confederações que se opuseram ao plano, além dos diversos primeiros-ministros, chefes de Estado e comentaristas que demonstraram ao presidente da FIFA que o futebol não está à venda.

Não podemos continuar assim, com esquemas secretos impostos a toque de caixa, arquitetados por figuras sem rosto e com benefícios duvidosos para o esporte. Precisamos identificar os responsáveis e cobrar-lhes as devidas contas.

É correto que, nos próximos dias e semanas, a UEFA trabalhe com suas associações e em estreita cooperação com outras confederações para refletir sobre como isso aconteceu e elaborar um plano para garantir que não volte a ocorrer. Essa revisão deve ser minuciosa e profunda. Nenhuma opção deve ser descartada. A atual liderança da FIFA não perdeu apenas a confiança da UEFA, mas também a de muitos outros membros da família do futebol.

Quando Gianni Infantino pediu a confiança e os votos das associações-membro da FIFA para se eleger presidente em 2016, ele disse:

“É claro que precisamos ser transparentes. Fui assim nos últimos 15 anos da minha vida na UEFA. Vocês terão que ter um papel ativo todos os dias na vida da FIFA”, antes de dizer aos presentes: “O dinheiro da FIFA é o dinheiro de vocês. Não é o dinheiro do presidente da FIFA. É o dinheiro de vocês. Vocês são as associações nacionais e o dinheiro da FIFA precisa servir para o desenvolvimento do futebol e para mais nada.”
Em ambas as promessas, ele falhou. O acordo mesquinho, feito de portas fechadas e opaco que ele arquitetou e tentou impor foi tudo, menos transparente.

E, com reservas que ultrapassam os US$ 5 bilhões, ele também falhou em usar o dinheiro das associações em benefício do esporte.

A UEFA começará a trabalhar imediatamente com parceiros e partes interessadas no mundo todo e em todas as esferas do futebol para propor uma nova forma de distribuir recursos por meio do programa FIFA Forward já existente.

Precisamos começar a usar parte desse dinheiro que está parado na conta bancária da FIFA para dar o impulso que o futebol de base e o esporte em geral precisam em cada um dos 211 países filiados. Mas não precisamos vender as “joias da família” para pagar por isso.

Esta é uma vitória para todo o futebol. Mas não pode ser o fim da história. A proposta caiu. A tarefa de reconstruir a confiança na FIFA está apenas começando.

5 imagens1 de 5Waleed Ibrahim/NurPhoto via Getty Images2 de 5Christof Koepsel/Bongarts/Getty Images3 de 5Catherine Ivill – AMA/Getty Images4 de 5Chip Somodevilla/Getty Images5 de 5Alex Caparros/Getty Images

Desistência

Na sexta-feira (31/7), a Fifa anunciou que desistiu do plano após a forte resistência de confederações continentais e federações nacionais. Segundo Infantino, a proposta “causou divisões” e deixou de atender ao objetivo inicialmente estabelecido.

O projeto previa a criação de uma nova empresa para administrar os ativos comerciais da Fifa, como direitos de transmissão, patrocínios, venda de ingressos e licenciamento da Copa do Mundo masculina e feminina, além do Mundial de Clubes. A entidade pretendia vender cerca de 20% da companhia para investidores privados.

A operação avaliava a nova empresa em aproximadamente US$ 20 bilhões (cerca de R$ 101,6 bilhões) e poderia gerar uma arrecadação inicial de cerca de US$ 4,2 bilhões (aproximadamente R$ 21,34 bilhões). De acordo com a Fifa, os recursos seriam utilizados para ampliar os repasses financeiros às 211 associações nacionais filiadas.

No comunicado, a Uefa também direcionou críticas a Infantino, lembrando uma promessa feita pelo dirigente quando assumiu a presidência da Fifa, em 2016.

“Acordos obscuros e sórdidos como este são tudo, menos transparentes”, afirmou a entidade, reforçando a insatisfação com a condução do processo liderado por Gianni Infantino.

Ao longo da semana, a Uefa liderou a oposição ao projeto e chegou a ameaçar boicotar competições organizadas pela Fifa, incluindo futuras edições da Copa do Mundo, caso a proposta fosse levada adiante. A pressão das entidades continentais foi determinante para o recuo da federação internacional.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Pedro Santana.

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