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União-PP mira 17 UFs e fica neutra para negociar com presidente eleito

União-PP mira 17 UFs e fica neutra para negociar com presidente eleito
Metrópoles

A Federação União Progressista pode estrear nas eleições de 2026 com candidatos próprios ou vagas de vice em 17 das 27 unidades da Federação. Formado por União Brasil e Progressistas (PP), o grupo decidiu não apoiar oficialmente nenhum presidenciável e concentrar recursos, tempo de propaganda e estrutura partidária nas disputas estaduais e no Congresso.

A estratégia repete uma fórmula adotada pelo Centrão em diferentes eleições: evitar o risco de apostar todas as fichas em um candidato ao Planalto, permitir alianças contraditórias nos estados e chegar ao segundo turno, ou ao governo seguinte, com portas abertas para negociar com o vencedor.

Sob o comando de Antonio Rueda, presidente do União Brasil, e Ciro Nogueira, presidente do PP, a federação poderá lançar candidatos a governador em 13 unidades da Federação. Os dados fazem parte de um levantamento realizado pelo Metrópoles.

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Nos demais estados, os nomes mapeados por este portal ainda dependem das convenções, que poderão ocorrer até 5 de agosto. Entre os principais projetos estão Celina Leão, no Distrito Federal; Eduardo Riedel, em Mato Grosso do Sul; Mailza Assis, no Acre; Roberto Cidade, no Amazonas; Jayme Campos, em Mato Grosso; Lucas Ribeiro, na Paraíba; e Dorinha Seabra, no Tocantins.

A federação ainda poderá ocupar a vice no Ceará, no Espírito Santo, no Rio Grande do Sul e em Roraima. No Ceará, a convenção de 26 de julho indicou Roberto Cláudio (União Brasil) para compor a chapa de Ciro Gomes (PSDB), embora dirigentes estaduais tentem reverter a escolha.

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Neutralidade não significa equidistância

A decisão nacional de não apoiar um presidenciável não coloca necessariamente a União Progressista à mesma distância de todos os candidatos. A composição dos palanques indica que parte importante da federação deverá caminhar com nomes da direita e da centro-direita.

Em São Paulo, por exemplo, os diretórios estaduais de União Brasil e PP declararam apoio a Flávio Bolsonaro (PL), apesar da neutralidade projetada pela direção nacional. No Rio Grande do Sul, a federação trabalha para indicar Silvana Covatti (PP) como vice de Luciano Zucco (PL).

Ao mesmo tempo, o grupo mantém alianças com a esquerda onde isso favorece seus projetos locais. O PT de Lula apoia Clécio Luís, no Amapá, e Lucas Ribeiro, na Paraíba, mesmo sem a adesão nacional da federação à candidatura presidencial petista.

A neutralidade, portanto, funciona menos como ausência de posição ideológica e mais como um mecanismo para acomodar interesses estaduais incompatíveis entre si.

Cada diretório poderá aderir ao presidenciável mais conveniente para sua disputa, sem obrigar toda a federação a assumir o risco político de uma candidatura nacional.

Fórmula já usada em outras eleições

A estratégia repete um comportamento adotado pelas legendas em eleições anteriores. Em 2022, o PP integrou a coligação de Jair Bolsonaro (PL), enquanto o União Brasil lançou Soraya Thronicke à Presidência. No segundo turno, o União liberou seus filiados para apoiar Bolsonaro ou Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Nas eleições municipais de 2024, os dois partidos priorizaram novamente a construção de poder local. Já no primeiro turno, o PP elegeu 743 prefeitos, e o União Brasil, 575 — 1.318 prefeituras somadas.

Essa capilaridade oferece estrutura, prefeitos, vereadores e palanques para as disputas estaduais e proporcionais de 2026. Sem um candidato presidencial próprio, a federação poderá direcionar às campanhas cerca de R$ 943 milhões do fundo eleitoral destinados a União Brasil e PP.

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Celina Leão, governadora do Distrito Federal, é uma das principais apostas do Progressistas nas eleições estaduais de 2026

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES 2 de 2

ACM Neto, vice-presidente nacional do União Brasil, tenta voltar à disputa pelo governo da Bahia após a derrota de 2022

Reproduçã/União Brasil

Espaço para negociar com o vencedor

Ao abdicar da disputa presidencial, a União Progressista perde espaço direto na propaganda destinada ao Planalto, mas concentra sua força onde considera haver retorno mais seguro: governos estaduais, Senado e Câmara. Ao mesmo tempo, evita um compromisso nacional e preserva canais com os candidatos que chegarem ao segundo turno.

A posição facilita uma aproximação com o vencedor e mantém a federação disponível para negociar apoio no Congresso, participação no governo e influência sobre o Orçamento.

A estratégia ganha peso no presidencialismo de coalizão, sistema no qual o presidente depende de alianças com diferentes partidos para formar maioria parlamentar e aprovar sua agenda.

Federações com bancadas numerosas, governadores e centenas de prefeitos chegam ao novo governo com maior poder de negociação. Ao priorizar governos estaduais, bancadas e estruturas municipais, a União Progressista reduz o risco de uma derrota presidencial e tenta se manter indispensável para qualquer coalizão que assumir o Palácio do Planalto em 2027.

Como mostrou o Metrópoles, Republicanos, MDB, PRD e Solidariedade também caminham para a neutralidade. O Podemos, por sua vez, ainda não havia fechado apoio a um presidenciável.

A chamada neutralidade do Centrão, dessa forma, representa menos uma ausência de posição e mais um cálculo de sobrevivência. As siglas evitam assumir o desgaste de uma candidatura presidencial, fortalecem suas estruturas locais, mantêm canais com os principais concorrentes e se preparam para integrar a coalizão de quem ocupar o Palácio do Planalto em 2027.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Luciana Saravia.

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