Ícone do site YacoNews

Vai pegar? Limite de velocidade na ciclovia gera dúvida em SP

Vai pegar? Limite de velocidade na ciclovia gera dúvida em SP
William Cardoso/Metrópoles

As ciclovias da cidade de São Paulo terão limite de velocidade de 20 km/h para bicicletas elétricas, autopropelidos e patinetes a partir do dia 28 de agosto. A portaria foi publicada na última semana, mas quem circula pela capital paulista ainda tem uma série de dúvidas principalmente sobre como se dará a fiscalização. Em meio às incertezas, uma pergunta comum é: essa regra vai pegar?

Como o Metrópoles mostrou no início de maio, existe uma disputa por espaço nas ciclovias de São Paulo com o aumento no número de bikes elétricas e autopropelidos (patinetes, pequenas scooters e até mesmo bicicletas elétricas que contam com aceleradores, possibilidade de rodar a até 32 km/h e motores de até 1.000 watts).

Na Faria Lima, por exemplo, a velocidade excessiva e as manobras arriscadas provocam discussões e brigas entre os usuários da ciclovia nos horários de mais movimento.

Em janeiro, entrou em vigor a resolução 996 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que, basicamente, definiu o que é cada veículo, com suas principais características. Regulamentar a circulação, porém, coube à prefeitura, por meio da portaria da semana passada, que também definiu onde se pode ou não circular, entre outras coisas.

Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles SP

Quais as novas regras para bicicletas elétricas e patinetes?

A reportagem apurou que a prefeitura deverá implementar a sinalização indicando velocidade máxima de 20 km/h, mas não haverá fiscalização efetiva nos mais de 700 km de estrutura cicloviária da capital paulista. Ou seja, corre-se o risco de ser uma “lei para inglês ver”, como tantas outras.

Entre usuários das ciclovias, essa também é a percepção. “Não tem ninguém registrando. Os caras passam ‘avoados’, ‘a milhão’ na ciclofaixa. Essa lei não vai funcionar não”, diz o entregador Giovani de Araújo, de 21 anos.

“Não sei se é possível fiscalizar isso. Como vai multar a pessoa?”, questiona o bancário Victor Santos, de 22 anos.

Tecnicamente, seria possível detectar a velocidade nas ciclovias com radar pistola, mas a percepção geral é a de que, no momento, isso não deverá acontecer.

Dificuldade

As dúvidas de quem anda de bike elétrica e autopropelido encontram eco no que pensa o especialista em mobilidade Sergio Ejzenberg.

“A prefeitura não fiscaliza nem motocicleta (com placas) voando baixo nas Faixas Azuis. Como pretende fiscalizar milhões de bicicletas, bikes elétricas, patinetes, autopropelidos sem placas e espalhados por todo canto?”, pergunta Ejzenberg.

8 imagens1 de 8

Ciclovia da Faria Lima, em São Paulo

William Cardoso/Metrópoles2 de 8

Ciclovia da Faria Lima, em São Paulo

William Cardoso/Metrópoles3 de 8

Ciclovia da Faria Lima, em São Paulo

William Cardoso/Metrópoles4 de 8

Ciclovia da Faria Lima, em São Paulo

William Cardoso/Metrópoles5 de 8

Ciclovia da Faria Lima, em São Paulo

William Cardoso/Metrópoles6 de 8

Ciclovia da Faria Lima, em São Paulo

William Cardoso/Metrópoles7 de 8

Ciclovia da Faria Lima, em São Paulo

William Cardoso/Metrópoles8 de 8

Ciclovia da Faria Lima, em São Paulo

William Cardoso/Metrópoles

No atual cenário, o especialista afirma que a melhor orientação que se pode dar para quem usa esses veículos é contar com velocidade compatível com os demais ciclistas e usuários, além de usar equipamentos de segurança, como capacetes, e acessórios refletivos à noite.

Ejzenberg também diz que é preciso cuidado em áreas compartilhadas com pedestres. “Mantenha velocidade só um pouco maior que a deles. Como os pedestres caminham a 5 km/h, você estará respeitando o limite seguro para todos.”

Receba no seu email as notícias de Metrópoles SP

Frequência de envio: Diário

Ver todasVer todas as newsletters

O especialista também alerta que bikes elétricas ou não, patinetes e outros autopropelidos parecem brinquedos inocentes, mas são extremamente perigosos. Só não são mais perigosos que as motocicletas”, diz.

O que diz a Prefeitura de São Paulo

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Executiva de Mobilidade e Trânsito (SEMTRA), diz que durante o período de adaptação às regras, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) irá definir os parâmetros para acompanhar o cumprimento das novas normas pelos usuários. “O prazo estabelecido na portaria é até 28 de agosto”, afirma, em nota.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por William Cardoso.

Sair da versão mobile