Vereadora Benny Briolly defende bancada trans e diz que objetivo é “ressignificar a política”
A vereadora de Niterói afirmou que parlamentares trans podem ampliar o debate para áreas como educação, moradia, cultura e mobilidade urbana
Benny Briolly (Crédito: Portal LeoDias)
A vereadora Benny Briolly (PT/RJ) defendeu a ampliação da presença de pessoas trans nos espaços de poder ao falar sobre a importância de uma bancada trans na política brasileira. A declaração foi dada durante o Baile da Benny, evento político e cultural que ocorreu no Rio de Janeiro.
Questionada sobre o papel dessa representatividade, Benny afirmou que a presença de parlamentares trans tem um peso simbólico, mas argumentou que a atuação dessas pessoas não deve ficar restrita às discussões sobre identidade de gênero. “A bancada trans tem uma importância simbólica porque existe bancada de tudo, qualquer coisa. Existe a bancada da Bíblia, existe a bancada do agro, existe a bancada do boi”, iniciou ela.
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Baile da Benny, idealizado por Benny BriollyReprodução: Instagram/@bennybriolly Baile da Benny, idealizado por Benny BriollyReprodução: Instagram/@bennybriolly Baile da Benny, idealizado por Benny Briolly, com a participação de MC CarolReprodução: Instagram/@bennybriolly Benny BriollyDivulgação: Instagram/@bennybriolly Benny Briolly e Fernanda Louback, vereadoras de Niterói, no Rio de Janeiro, discutiram durante sessãoCrédito: Sérgio Gomes – ASCOM Câmara de Niterói
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Para Benny, uma maior presença de pessoas trans no Legislativo também serviria para ampliar a participação desse grupo em discussões que afetam a população de maneira geral. “A importância da bancada trans é ressignificar a política, entendendo que os nossos corpos não falam somente das nossas identidades. Que a gente também faz mobilidade urbana, que a gente também faz cultura, que a gente também faz educação, a gente produz uma intelectualidade que formula e disserta o Brasil para quem foi esquecido historicamente e precisa avançar enquanto classe trabalhadora”, declarou.
Atualmente, Benny está em seu segundo mandato como vereadora de Niterói, onde se tornou, em 2020, a primeira mulher trans eleita para a Câmara Municipal. Ela foi reeleita em 2024 e atualmente preside a Comissão Permanente de Direitos Humanos, da Mulher, da Igualdade Racial, da Criança e do Adolescente da Casa. Criada em favelas da zona norte de Niterói, a vereadora iniciou sua atuação política ligada a movimentos de direitos humanos e de defesa da população LGBTQIA+.
Em 2026, a parlamentar deixou o PSOL, partido pelo qual havia sido eleita e reeleita vereadora, e filiou-se ao PT para disputar uma vaga de deputada federal pelo Rio de Janeiro.
Durante a entrevista, Benny também chamou atenção para o número reduzido de pessoas trans ocupando cargos eletivos no Brasil. “‘Ah, mas agora elas querem tomar os espaços das mulheres cisgêneros’. Gente, há menos de dez anos nesse país nós, mulheres trans e travestis, somos reconhecidas como mulheres sem ser catalogadas em um CID. E há menos de oito anos que nós estamos ocupando o parlamento e somos menos de 40 no Brasil inteiro. Entre o Congresso, as casas legislativas estaduais e municipais no Brasil”, afirmou.
Benny também rebateu discursos que associam a entrada de pessoas trans na política exclusivamente a pautas sobre gênero ou sexualidade. Segundo ela, esse tipo de argumento reduz o campo de atuação desses representantes. “Entendo o quanto é necessário entregar para a população mais pobre, que é a população LGBT, a população de favela, juventude preta, educação, saúde e moradia, que são elementos cruciais para que seja garantida a cidadania dessas pessoas. A bancada trans é para isso, gente. Desmistifica”, ponderou a parlamentar.
Além disso, Benny ainda criticou campanhas de desinformação e discursos utilizados para atacar políticos LGBTQIA+, fazendo referência a episódios que envolveram o ex-deputado federal Jean Wyllys. “Tira esse negócio que vai sexualizar criancinha, igual fizeram com o Jean Wyllys. ‘Ah, mamadeira de piroca’… Isso é coisa de gente mentirosa, nojenta, fascista, ultrapassada”, declarou.
Para a candidata, ampliar essa representação significa levar ao Legislativo não apenas pautas ligadas à identidade de gênero, mas também reivindicações sociais de grupos que tiveram participação reduzida nos espaços institucionais.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Leo Dias por Heloísa Cipriano.

