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Visto cancelado de embaixadora piora relação diplomática entre Brasil e EUA

Visto cancelado de embaixadora piora relação diplomática entre Brasil e EUA
Jefferson Rudy/Agência Senado

A revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti, chefe da Embaixada do Brasil nos Estados Unidos, pegou o Itamaraty de surpresa. E, com isso, mostrou como o futuro das relações diplomáticas entre Brasília e Washington caminha para um cenário de incertezas nos próximos meses, às vésperas das eleições brasileiras.

Viotti, que chefia a representação brasileira nos EUA desde 2023, teve o visto cancelado devido à demora do Ministério das Relações Exteriores em conceder o aval a Daniel Perez para assumir o cargo de embaixador norte-americano no Brasil.

Ao explicar a decisão, o Departamento de Estado dos Estados Unidos alegou ter mantido uma “comunicação constante com o governo brasileiro” sobre o assunto. Após semanas de negociações, no entanto, o órgão acusou a diplomacia do Brasil de criar obstáculos para a efetivação do embaixador no cargo. Ele foi nomeado por Trump em 1º de junho.

Diante do quadro, o governo dos EUA afirma que o visto de Viotti só será restabelecido caso a diplomacia de Lula aceite Perez como embaixador dos EUA no Brasil. 

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do Metrópoles

Crise Brasil x EUA

Para fontes da diplomacia norte-americana ouvidas sob condição de reserva, a relutância do Brasil em aceitar o agrément de Perez— como o aval é chamado na diplomacia — é vista como uma tentativa de interferência nos “processos internos” dos EUA.

O Brasil, no entanto, rejeita as acusações e enxerga a situação como parte de uma escalada da ações norte-americanas contra o país, com o suposto objetivo final de intervir nas eleições brasileiras.

Assim como a revogação do visto de Viotti, o Itamaraty só ficou sabendo da indicação de Perez para a Embaixada dos EUA no Brasil por meio de comunicados públicos e informações divulgadas pela imprensa, o que contraria tratados internacionais e protocolos diplomáticos.

“O processo de concessão de agrément é confidencial e o nome designado só deveria vir a público depois de concedida a anuência, conforme estipula o artigo 4 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas”, rebateu o governo brasileiro ao falar sobre a justificativa usada pelos EUA para revogar o visto da embaixadora brasileira.

Embaixadora deve seguir nos EUA

Apesar da revogação do visto, a embaixadora do Brasil nos EUA pode permanecer no país. O que muda é que, a partir de agora, Viotti precisará solicitar uma nova permissão de viagem caso deixe o território norte-americano.

Até o momento, não está claro como a decisão do governo Trump afetará a manutenção da diplomata no posto em Washington. No entanto, se ela deixar o posto e o aval de Perez não for concedido, as relações diplomáticas entre Brasília e Washington, podem ser automaticamente rebaixadas.

Desde janeiro de 2025, a Embaixada dos EUA no Brasil está sem embaixador, o que é visto como um sinal de enfraquecimento de laços diplomáticos entre os dois países. 

O mesmo pode acontecer na Embaixada do Brasil em Washington, deixando as duas representações nas mãos de diplomatas de menor escalão.

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Embaixadora Maria Luiza Viotti

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Embaixadora Maria Luiza Viotti

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Maria Luiza Viotti, embaixadora do Brasil nos EUA que teve o visto revogado pelo governo Trump

Jefferson Rudy/Agência Senado4 de 5Pazulo Filgueiras/UN Photo5 de 5

Embaixadora Maria Luiza Viotti

Rick Bajornas/ONU

Histórico de revogações de vistos

A revogação do visto de Viotti não é o primeiro caso desde que Trump reassumiu o poder nos EUA. Atualmente, diversas autoridades brasileiras estão proibidas de entrar no território norte-americano, entre elas integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e ministros do governo Lula.

Em julho de 2025, o Departamento de Estado dos EUA revogou o visto de oito ministros do STF, acusando-os de praticar uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro — condenado meses depois a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

A decisão afetou os magistrados Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Dias Toffoli, Edson Fachin, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso.

Um mês depois foi a vez do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e ex-funcionários do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) perderem permissões de viagem aos EUA. A revogação, informou o secretário de Estado Marco Rubio, foi uma retaliação pela parceria entre Brasil e Cuba no programa Mais Médicos.

Membros da Advocacia Geral da União (AGU), Procuradoria-Geral da República (PGR) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também foram alvo das medidas.

O governo brasileiro também já impediu que integrantes do governo norte-americano, todos eles ligados à diplomacia do país, viajassem ao Brasil. 

Um deles foi Darren Beattie, assessor de Trump que tentou entrar no Brasil para visitar Jair Bolsonaro, à época cumprindo pena na Papudinha. O visto, no entanto, acabou negado após o Itamaraty constatar que o diplomata apresentou informações falsas, que ocultavam a possível reunião com o ex-presidente.

O mesmo aconteceu no último fim de semana com Riley M. Barnes e Samuel D. Samson. Os dois funcionários do Departamento de Estado dos EUA viriam ao Brasil para manter reuniões com Flávio Bolsonaro (PL) e autoridades eleitorais, mas não receberam vistos depois de relatos sobre uma “missão” contra as eleições brasileiras. 

O objetivo seria levantar dúvidas sobre a segurança do processo eleitoral, classificado como confiável por diversos países e observadores internacionais que costumam acompanhar as eleições do país.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Junio Silva.

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