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"Você mexe comigo": Igreja faz acordo de R$106 mil após acusação de assédio

"Você mexe comigo": Igreja faz acordo de R$106 mil após acusação de assédio
Pastor Arival Dias Casimiro, da Igreja Presbiteriana de Pinheiros

A Igreja Presbiteriana de Pinheiros (IPP) fechou um acordo de R$ 106 mil com uma funcionária que acusou o reverendo Arival Dias Casimiro, pastor titular da instituição, de assédio e “abuso espiritual”. O caso, cujo processo trabalhista foi encerrado em 2025, voltou à tona nos últimos dias, levando a IPP a, inclusive, divulgar uma nota de esclarecimento à comunidade.

Conforme os autos do processo, acessados pelo Metrópoles, a acusação de assédio foi feita pela antiga colaboradora em maio de 2025, após diversas abordagens de Arival, tanto por meio de mensagens quanto pessoalmente, entre 2022 e 2024. Além de pastor, o religioso também era o superior hierárquico da funcionária no local de trabalho.

No comunicado publicado na quinta-feira (10/9), a própria IPP afirmou que “algumas mensagens foram inoportunas, inadequadas e infelizes“. Além disso, a igreja declarou que, por meio do acordo homologado, a colaboradora teria retirado “qualquer reconhecimento de assédio” — o que não é verdade, conforme informado pela defesa da funcionária, que foi procurada pela reportagem.

“Em parte alguma do acordo a Reclamante diz não ter havido assédio ou retira as afirmações feitas no processo”, afirmou o advogado. “Ao contrário, encerrado o processo, continuou sustentando em processo interno a existência do assédio.”

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do Metrópoles SP

“Algumas pessoas, acreditando que foi retirada a acusação de assédio pelo conteúdo da nota, estão afirmando na internet que a Reclamante confessou que não houve assédio, o que não é verdade de forma alguma”, acrescentou.

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“Você mexe comigo”

Os autos da ação trabalhista também trazem capturas de tela que mostram as mensagens enviadas pelo reverendo. Em diversas ocasiões, Arival sugere encontros reservados com a funcionária — em outra mensagem, diz que “você mexe comigo”, e que gostaria de dizer a ela, reservadamente, “o que sinto por você”.

As imagens também apresentam várias ocasiões em que o religioso enviou mensagens e as apagou em seguida, algumas delas em horários não comerciais, inclusive depois da meia-noite. Também foi destacado o uso do recurso de mensagens temporárias, em determinados momentos.

Também por mensagem, a denunciante chegou a rejeitar as investidas, antes de eventualmente pedir demissão de sua função na IPP.

“Prefiro não receber essas mensagens, pastor”, escreveu ela em uma das ocasiões.

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Conversas entre o padre Arival e funcionária que o denunciou por assédio

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Cedido ao Metrópoles

Abordagens no local de trabalho

Ao longo do processo, a autora da acusação também relatou episódios de constrangimento presencial, com o pastor indo todos os dias à sua mesa para abraçá-la, além de elogiá-la de forma exacerbada e fazer várias piadas.

Alguns dos comentários chegavam a ser mais diretos. O reverendo sugeria “repetidamente”, por exemplo, que ela utilizasse “maquiagem e roupas mais curtas para chamar mais atenção”.

Em outro momento, ele teria dito que “ainda se casaria” com ela, em frente a outros colegas de trabalho.

Reunião por comportamento do pastor

Em agosto de 2024, foi realizada uma reunião para tratar do comportamento de Arival, que já ocorria há cerca de dois anos àquela altura. Estavam presentes, na ocasião, a ex-funcionária e o reverendo, além de uma superior dela e um presbítero.

Segundo o relato da denunciante, o religioso teria pedido desculpas e afirmado que “caiu num laço do inimigo”, além de dizer que a enxergava como “filha”. Na sequência, ele teria a abraçado e pedido para que ela continuasse no cargo. A colaboradora, no entanto, pediu demissão sem justa causa.

Acordo de R$ 106 mil

Segundo informado pela defesa da ex-funcionária, o acordo foi uma forma de trazer “alívio à vítima, que sofre pressões externas e internas”.

Ao fim da apuração interna, Arival foi punido com censura/admoestação privada. O episódio, no entanto, não foi divulgado à comunidade eclesiástica da Igreja Presbiteriana de Pinheiros, da qual ele é presidente e onde continua como titular.

Vale notar que a IPP conta com nomes fortes do presbiterianismo, como o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o autor Hernandes Dias Lopes.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Victor Aguiar.

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