16 de julho de 2026

Vereador de Rio Branco apresenta Projeto de Lei que visa combater intolerância religiosa

14 Nov de 2019 do YacoNews
Por Leonildo Rosas


Embora prevista na Constituição Federal de 1988, a liberdade de crença muitas vezes não é respeitada no Brasil e se multiplicam os casos de intolerância. Considerando esta realidade, o vereador Jakson Ramos, líder do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara Municipal de Rio Branco, apresentou nesta quinta-feira, 14, Projeto de Lei que dispõe sobre penalidades administrativas a serem aplicadas pela prática de atos de discriminação por motivo religioso.

Conforme o texto, será punido todo e qualquer ato discriminatório praticado no município de Rio Branco por qualquer pessoa, jurídica ou física, inclusive a que exerça função pública. O PL considera atos discriminatórios por motivo de religião, praticar qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, proibir o ingresso ou a permanência em ambiente ou estabelecimento aberto ao público, criar embaraços à utilização das dependências comuns e áreas não-privativas de edifícios, recusar, retardar, impedir ou onerar a utilização de serviços, meios de transporte ou de comunicação, consumo de bens, hospedagem em hotéis, motéis, pensões e estabelecimentos congêneres ou o acesso a espetáculos artísticos ou culturais, entre outras formas.

No mês em que se celebra o Dia Nacional da Consciência Negra, um projeto com esse teor é emblemático, visto que as religiões de matriz africana são as que mais sofrem preconceito no país. Para o autor do projeto, o número de casos de intolerância religiosa registrados em todo o país foi fator decisivo para a apresentação da proposta. Para se ter ideia da dimensão deste problema, somente em 2018 casos desse tipo aumentaram 51%. Foram mais de cem registos, muitos dos quais a violência foi utilizada como meio de repressão.

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“O que me impeliu a apresentar esse projeto, é a grande quantidade de eventos ocorridos no Brasil afora, assim como na cidade de Rio Branco e em todo o Estado do Acre, de discriminação sobre pessoas que assumem posição religiosa diferente da maioria. Inclusive, nós tivemos recentemente a divulgação de estatísticas do IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística] e que mostra muito essa acertiva”, destacou ele.

As penalidades previstas no Projeto de Lei utilizam como referência a Unidade Fiscal do Município de Rio Branco, orçada em 2019 no valor de R$ 127,50. Desta forma, estão previstos no projeto aos que praticarem atos de discriminação nos termos da lei multas que variam de R$ 3.825 a R$ 7.650, além de outras penalidades como a suspensão ou cassação da licença municipal para funcionamento, se for o caso.

Ainda de acordo com o texto, competirá a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Sasdh) a instauração de processo administrativo, bem como a transmissão à autoridade competente das denúncias para as providências cabíveis. Além disso, a Sasdh poderá firmar convênios com o governo estadual se assim se fizer necessário.

O PL segue agora para apreciação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e será encaminhado à votação posteriormente. “Eu tenho certeza que diante da importância desta pauta, os demais vereadores serão sensíveis à proposta e acredito sim que será aprovada”, finalizou Ramos.


Para conhecer o inteiro teor da proposta, basta acessar o site da Câmara Municipal de Rio Branco por meio do endereço eletrônico https://www.riobranco.ac.leg.br/.