17 de julho de 2026

Deputada Perpétua Almeida apresenta PEC que visa reforçar caráter de Estado das Forças Armadas

Deputada Perpétua Almeida apresenta PEC que visa reforçar caráter de Estado das Forças Armadas

A líder do PCdoB na Câmara, deputada Perpétua Almeida (AC), apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição, que tem por objetivo resguardar a autonomia das Forças Armadas (FFAA )como instituições permanentes do Estado e não de governos.

A proposta de emenda acrescenta ao artigo 37 da Constituição Federal o inciso XXIII, vedando aos militares da ativa a ocupação de cargo de natureza civil na administração pública, nos três níveis de governo: União, Estados e municípios. De acordo com o texto, para exercer cargos de natureza civil o militar com menos de dez anos de serviço deverá se afastar da atividade. No caso daqueles que contarem mais de dez anos de serviço, estes deverão passar para a reserva.

A parlamentar lembra que, ao tratar dos direitos políticos dos cidadãos brasileiros, a Carta Magna já impôs aos militares como condições para concorrer a pleito eleitoral que se afastem das funções (caso tenha menos de dez anos de serviço) ou passem automaticamente para a inatividade (se tiver mais de dez anos de serviço).

“É patente o objetivo do nobre legislador constituinte de afastar os militares do exercício da atividade de caráter político-partidário enquanto estes ocupem cargo de natureza militar da ativa”, destaca Perpétua Almeida. Na justificativa da proposta, a parlamentar defende a necessidade de emendar o texto constitucional para “ampliar seu alcance democrático e republicano” em relação ao necessário distanciamento dos militares das funções de governo.

Segundo a deputada, a alteração proposta no texto constitucional visa defender Marinha, Exército e Aeronáutica de influências políticas e partidárias. “É preciso resguardar as Forças Armadas dos conflitos normais e inerentes à política”, diz a líder.

Além disso, ela ressalta que a emenda tem como mérito aprimorar o modelo constitucional de isenção e apartidarismo das FFAA, bem como a natureza civil da ocupação política do Estado, mediante eleições livres, universais e periódicas.

“A história do Brasil e a própria Constituição nos trazem a certeza de que a presença de militares da ativa, servindo a governos e participando da luta política partidária, pode contaminar a tropa com a politização e a partidarização do seu corpo, fenômeno nefasto para a democracia”, afirma.

Perpétua Almeida observa ainda que o gesto do general Mark Milley, maior autoridade militar norte-americana – que pediu desculpas por ter participado de ato político ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve servir de alerta contra a indesejável contaminação política das Forças Armadas.

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