3 de junho de 2026

Se Mazinho devolvesse aos cofres de Sena valores que TCE ordenou, município poderia comprar cinco caminhões compactadores de lixo

Se Mazinho devolvesse aos cofres de Sena valores que TCE ordenou, município poderia comprar cinco caminhões compactadores de lixo

Por Tom Lindoso, Contilnet

Em novembro de 2021, o Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) condenou o prefeito de Sena Madureira Mazinho Serafim à devolução solidária de mais de um milhão de reais. Em janeiro, o TCE volta a investigar o gestor; e as contas da sua gestão, referentes ao ano de 2018, foram consideradas ‘irregulares e com ilegalidades’.

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Mas engana-se quem pensa que Mazinho está preocupado com isso. Quer acabar com manifestações na base da ‘ripada’, agredir membros do parlamento mirim da cidade e desferir ataques em suas redes quando se sente ameaçado.

Mazinho foi condenado pelo TCE por não comprovar despesas com a empresa contratada para recolhimento do lixo da cidade. E foi, justamente, esse o assunto que voltou à tona, com denúncias envolvendo a forma como a coleta de lixo é realizada na cidade: condições insalubres, profissionais sem máscaras, veículos sucateados e contato direto com detritos. Com as denúncias repercutindo e a população querendo respostas, Mazinho foi para as redes, e não foi para prestar esclarecimentos à população: desferiu ataques pessoais e recebeu aplausos de meia dúzia de aliados. Recuso-me a achar que a população – tratada na base da ripa – aplaude um prefeito com esse perfil.

O valor total da multa aplicada a Mazinho é de R$ 1.090.400 (um milhão noventa mil quatrocentos reais), que deveria ser pago em 30 dias, contados de 8 de outubro. O Superbid, marketplace que conecta compradores e vendedores em uma plataforma, diz que, em média, “caminhões compactadores de lixo a venda custam em média de 90 mil a 200 mil reais em estado novo”. Considerando o maior preço, Mazinho poderia comprar, com o valor condenado a devolver, cerca de 5 desses, novinhos, para a cidade.

Espero que essa seja, um dia, a preocupação do prefeito, que nem quando quer eleger-se deputado federal se mostra preocupado com a população. Enquanto isso, ficamos com as ripadas, denúncias de corrupção, acusações de agressão e polêmicas do representante do povo que adora um barraco, mas tem memória seletiva.

Esclarecendo os fatos

Vou usar esse espaço para explicar uma coisa: o ContilNet (empresa onde orgulhosamente sou editor-chefe) recebeu uma denúncia, na segunda-feira (24) sobre a situação dos garis e sua estrutura de trabalho. Isso é uma coisa. Eu, pessoalmente, tratei a denúncia, como manda a cartilha, procurei assessoria e o próprio secretário da pasta. O assessor disse que eu deveria falar com o secretário e o secretário deu calado por resposta. Mazinho não gostou e foi às redes desferir uma série de ataques pessoais à empresária Wania Pinheiro (uma das acionistas da empresa) e ainda alegando sofrer perseguição. Eu particularmente não entendi. O único momento que Mazinho foi citado nominalmente, no material, foi na fala do seu próprio assessor. Acho que o prefeito precisa de um terapeuta, para lidar com todo esse amor reprimido pela empresária Wania Pinheiro.

Engraçado

Mazinho gosta de relembrar denúncias, contanto que não envolvam seu nome. Para o leitor mais curioso, basta digitar “Mazinho Serafim + Polícia” no Google para perceber que o prefeito e nomes que compuseram seu time de governo poderiam, ao invés de investigações que envolvem outros, prestar contas à população de investigações que envolvem seus próprios nomes.

Wania Pinheiro

Já que Mazinho trouxe Wania, que não tinha nada a ver com isso, para o debate, a jornalista aceitou. “Vamos protocolar uma ação junto ao Ministério Público para saber o que o prefeito valentão fez com tantos milhões que caíram na conta da prefeitura durante esses seis anos em que ele está lá como gestor. Tanto dinheiro e não deu para comprar um caminhão de lixo, seu incompetente?”, anunciou nas redes.