4 de junho de 2026

PT aciona Conselho de Ética da Câmara contra Kim Kataguiri por fala sobre nazismo

PT aciona Conselho de Ética da Câmara contra Kim Kataguiri por fala sobre nazismo

O Partido dos Trabalhadores (PT) acionou nesta quarta-feira (9) o Conselho de Ética da Câmara contra o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) por uma fala do parlamentar sobre nazismo durante apresentação do podcast “Flow”.

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Durante episódio na última segunda (7), o apresentador do podcast Bruno Aiub que usa o nome de Monark, afirmou que “nazista tinha que ter o partido nazista, reconhecido pela lei”. Kataguiri também participou do programa e disse, na ocasião, que foi um erro a Alemanha ter criminalizado o partido nazista.

Após repercussão do assunto, o procurador-geral da República, Augusto Aras, determinou nesta terça-feira (8) a abertura de uma investigação sobre suposto crime de apologia do nazismo praticado pelos dois.

O Conselho de Ética analisa representações contra deputados envolvidos em supostos atos de quebra de decoro parlamentar. As punições previstas são:

  • censura, verbal ou escrita;
  • suspensão de prerrogativas regimentais;
  • suspensão temporária do exercício do mandato;
  • perda do mandato.

Na representação do PT, assinada pela presidente da legenda, Gleisi Hoffmann (PR), e pelo líder do PT na Câmara, Reginaldo Lopes (MG), o partido afirma que “ao defender abertamente a descriminalização de uma doutrina que prega a disseminação de ódio e intolerância, o Deputado Federal representado se distancia de seus deveres constitucionais e deixa de ser amparado pela imunidade parlamentar material”.

A sigla afirma também que “os fatos narrados consistem em ato intolerável e de extrema gravidade” e pede abertura de processo por quebra de decoro parlamentar do deputado no Conselho de Ética da Casa, com depoimento de Kim.

O PP já informou que também deve entrar com representação semelhante no colegiado nesta quinta-feira (10).

Além disso, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) também disse nesta quarta-feira (9), em uma rede social, que já apresentou representação contra Kim. Contudo, por ser uma representação de um parlamentar individualmente, e não de um partido como um todo, a peça precisa ser analisada primeiramente pela Corregedoria da Câmara.

Argumentos

O partido argumenta que a imunidade parlamentar “não pode ser compreendida como um direito absoluto” e “não se perfila com condutas que se mostram incompatíveis com as ações que se espera de um representante popular e não abrange, da mesma forma, comportamentos abusivos e criminosos, como ocorre na espécie”.

“A defesa do nazismo é uma ofensa à sociedade brasileira e a comunidade internacional, representa uma grave desconsideração com o sofrimento dos milhares de vítimas do antissemitismo e ataca o próprio Parlamento, na medida em que explicita, de forma indelével, que um Congressista eleito sob os cânones constitucionais, ainda não entendeu a importância dos alicerces do pluralismo democrático que informa as Nações que se pautam pela defesa intransigente dos direitos humanos”, diz a peça.

O PT afirma, ainda, que “as ideias defendidas pelo deputado, a partir da adesão à defesa e apologia do nazismo, são ultrajantes, desrespeitosas, ofensivas”.

Com a atitude, segundo o partido, o deputado “deixou de observar o necessário decoro parlamentar que informa suas altas responsabilidades perante a sociedade, a Câmara dos Deputados e principalmente entre seus pares”.