4 de junho de 2026

Vídeo de marido mostrando cabeça de esposa decapitada gera indignação no Irã

Vídeo de marido mostrando cabeça de esposa decapitada gera indignação no Irã

Um vídeo de um homem mostrando na rua a cabeça de sua jovem esposa que ele havia acabado de decapitar causou choque e indignação no Irã nesta terça-feira 8). Suspeita de adultério, Mona Heidari, de 17 anos, foi assassinada no domingo (6) pelo marido e pelo cunhado dele, em Ahvaz, capital da província do Khuzestan, no sudoeste do país, de acordo com informações da agência ISNA (agência de Notícias dos Estudantes Iranianos).

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O vídeo do marido desfilando na rua sorrindo com a cabeça de sua vítima apareceu, logo depois, na rede iraniana, chocando o país. Os dois homens foram detidos pela polícia nesta segunda-feira “durante uma incursão no seu esconderijo”, anunciou a polícia local, citada pela agência oficial IRNA (Agência de Notícias oficial da República Islâmica).

“Um ser humano foi decapitado, sua cabeça foi exibida nas ruas e o assassino se orgulhava disso. Como podemos aceitar tamanha tragédia? Devemos agir para que os feminicídios não voltem a acontecer”, afirmou o jornal reformista Sazandegi.

“Mona foi vítima de uma ignorância devastadora, todos nós somos responsáveis ​​por esse crime”, protestou a cineasta feminista Tahmineh Milani, em sua conta no Instagram, depois que o vídeo se tornou viral.

Casamento infantil

Reagindo à tragédia, vários defensores de direitos humanos instaram as autoridades a reformarem a lei de proteção das mulheres contra a violência doméstica e a aumentarem a idade mínima para o casamento das meninas iranianas, atualmente fixada em 13 anos.

Segundo a mídia local, a vítima tinha apenas 12 anos quando se casou. Ela deixou um filho de 3 anos.

Para o advogado Ali Mojtahedzadeh, citado pelo jornal reformista Shargh, a lei tem “lacunas” no que diz respeito à proteção das mulheres. Não lhes concede independência e falha em “determinar racionalmente a idade legal do casamento para acabar com o casamento infantil”. Tudo isso “abre caminho para facilitar os assassinatos”, lamenta.

“Não há medidas concretas para garantir a aplicação de leis que visam prevenir a violência contra as mulheres”, reforçou a deputada Elham Nadaf.

“As mulheres pedem ao Parlamento que tome medidas urgentes para fechar algumas brechas legais e as autoridades devem se esforçar ao mesmo tempo para aumentar o nível de consciência da população”, declarou no Twitter o vice-presidente iraniano encarregado de Mulheres e Assuntos, Ensieh Khazali.

(Com informações da AFP)