Início / Versão completa
ACRE

Cesta básica consome, em média, 55% do salário mínimo no Brasil, esse é o maior valor desde 2004

Por Redação 21/06/2022 09:46
Publicidade

O preço médio da cesta básica no Brasil, hoje de R$ 663,29, representa cerca de 55% do salário mínimo de R$ 1.212.

Publicidade

As informações são de um levantamento produzido pela CNN com base em dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que levou em conta o valor dos alimentos em 16 capitais do país, desde 1998, e comparou com o respectivo salário mínimo de cada ano.

De acordo com o levantamento, este ano acumula o maior percentual atingido desde 2004, quando a cesta básica consumia uma parcela de cerca de 58% do salário mínimo.

Na época, o rendimento básico era de R$ 260 e os alimentos somavam, em média, R$ 150,72.

Publicidade

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que produz o medidor da inflação no Brasil, o IPCA, apontam que o grupo de alimentos e bebidas costuma representar mais de 20% do orçamento doméstico.

Entretanto, o professor Alberto Ajzental, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), explica que para famílias mais pobres, com ganhos entre um e cinco salários, os gastos com alimentação chegam a somar até 35% dos ganhos.

“Quando a alimentação ocupa um espaço maior do salário, significa que estão perdendo poder de compra. Ou seja, elas dão preferência para os alimentos e gastos básicos, e sobra menos dinheiro para consumir. Então gasta mais em alimento, mas gasta menos com locomoção, cultura, educação, vestuário. No fim das contas, a população mais pobre fica desassistida”, afirma o economista.

Ainda segundo o levantamento, nos anos de 2012 e 2018, a cesta básica atingiu o menor custo em relação ao salário, chegando a representar 40% do ganho mensal.

Em 2012, a cesta custava em média R$ 248,36, enquanto a remuneração básica era de R$ 622,00. Já em 2018, o salário mínimo era de R$ 954, e a cesta básica média cerca de R$ 386,20. Já a partir de 2019, o percentual passou a subir.

Segundo o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, divulgado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, o Brasil tem atualmente 33,1 milhões de pessoas sem ter o que comer.

São 14 milhões de brasileiros a mais em insegurança alimentar grave em 2022, na comparação com 2020, como consequência da pandemia da Covid-19.

Para Ajzental, a questão da insegurança alimentar no Brasil é urgente e é preciso uma intervenção do poder público para garantir as condições mínimas ou mais básicas de sobrevivência para essa população.

“Acredito que a gente, como nação, está falhando nisso”, completa.

Outro viés da perda do poder de compra é o efeito a longo prazo da educação dos mais jovens.

Alberto Ajzental avalia que familias em situação de vulnerabilidade tendem a inserir os jovens cada vez mais cedo no mercado de trabalho, comprometendo o futuro educacional das próximas gerações.

“Através da educação formal que esses jovens teriam uma chance de quebrar o ciclo, mas eles têm que ir cedo pro mercado de trabalho. Então todo mundo tem que trabalhar desde cedo pra fazer frente as altas despesas. Isso é a perpetuação da miséria, porque quando você consegue dar o básico, um filho consegue estudar e quebrar o ciclo”, finaliza o professor.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.