4 de junho de 2026

Prefeitura revoga lei que regulamentava táxi compartilhado em Rio Branco alegando insegurança jurídica

Prefeitura revoga lei que regulamentava táxi compartilhado em Rio Branco alegando insegurança jurídica

Um mês após ter assinado o documento que regulamentava o serviço de táxi lotação, ou a corrida compartilhada, a Prefeitura de Rio Branco voltou atrás e revogou a lei alegando insegurança jurídica, sendo necessário criar um projeto de lei para que o serviço seja autorizado na capital.

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Segundo o Sindicato dos Taxistas, a prefeitura afirmou que há uma insegurança jurídica na regulamentação por portaria. O mais indicado seria criar um projeto de lei na Lei Municipal nº 343, de 26 de maio de 1982, e inserir um artigo especificamente sobre a atuação da modalidade.

“Se for na lei, não é qualquer gestor que entra e faz uma portaria revogando a que já existe. Nesse ponto a prefeitura tem razão, embora a gente ache que deve ter outra coisa por trás também. Na realidade existe essa insegurança, a gente sabia, com a portaria não teríamos algo tão seguro”, lamentou o presidente do Sindicato dos Taxistas, Telnizio Machado.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Rio Branco e aguarda retorno.

A modalidade já é praticada em Rio Branco desde 2019 após a chegada dos aplicativos e, para driblar a queda no faturamento, os taxistas começaram a prestar serviços de corridas com a lotação.

Durante esse período, os trabalhadores chegaram a ser multados. No início deste ano, o Ministério Público do Acre (MP-AC) encaminhou uma recomendação à Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (RBTrans) para que fosse apresentado um plano de fiscalização permanente dos taxistas para identificar e punir os motoristas que praticavam corridas compartilhadas de forma irregular.

Quando assinou o documento, em 15 de julho deste ano, o prefeito Tião Bocalom, chegou a alegar que faltava apenas uma regulamentação para que essa modalidade se tornasse de fato legal, assim como as categorias de taxi turismo, taxi especial (aeroporto), e taxi convencional.

“Era só questão de uma portaria da RBTrans para resolver. Nós estamos aqui juntos, para dizer a esses trabalhadores que agora eles estão dentro do que manda a lei, porque a lei já existia, dependia apenas de uma regulamentação”, disse ao assinar o documento.

Em julho deste ano, prefeito Tião Bocalom assinou a portaria de regulamentação da atividade. A publicação seria feita no Diário Oficial (DOE), mas, segundo Telnizio, o documento foi revogado antes do final do mês.

“Há a promessa da prefeitura que no início do ano [que vem] estará na lei. Nossa esperança é de que isso venha se concretizar. Ficamos tranquilos também porque temos a garantia do prefeito de que ninguém vai mexer conosco, vamos continuar trabalhando tendo todo suporte, vamos ficar na pracinha da rotação tendo esse apoio”, relatou.

O trabalho dos taxistas é feito para 16 linhas da capital e em 14 delas é praticada a tarifa fixa de R$ 6 por passageiro, apenas duas delas, a do São Francisco e Sobral custa R$ 5. Dos 612 taxistas registrados em Rio Branco, 150 atuam na modalidade lotação. Diariamente, são em média 7 mil passageiros que utilizam o serviço compartilhado.

“Isso é uma coisa que não volta, a população já abraçou, existe em outros estados. Sabemos que é uma coisa sem volta, assim com o [transporte por] aplicativo chegou e se estabeleceu, assim está o sistema de lotação no meio dos táxis, é bom para a população”, concluiu.