3 de junho de 2026

Justiça condena a mais de 30 anos acusada de ordenar e assistir por videochamada morte de jovem no AC

Rita Rocha do Nascimento, uma das envolvidas na morte de Kesia Nascimento da Silva em 2020, em Rio Branco, foi condenada a mais de 30 anos de prisão em regime inicial fechado pelo crime. O julgamento ocorreu nesta quinta-feira (8) e foi acompanhado pela acusada por videoconferência.

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Ela está presa em São Paulo. Rita foi condenada pela 1ª Vara do Tribunal do Júri por homicídio qualificado, ocultação de cadáver, corrupção de menores e participação em organização criminosa.

Ela não pode recorrer da sentença em liberdade.

“Ademais, ressalte-se que o crime ocorreu no contexto das facções criminosas, o que, por si só, gera intranquilidade e medo na sociedade. Essas causas demonstra ser a acusada pessoa altamente nociva à sociedade. Inclusive, há notícias de que a mesma está presa na Comarca de São Paulo por outros crimes. Por fim, registre-se que seria um contrassenso conferir a ré que foi mantida custodiada durante todo o processo e agora condenada pelo Júri popular, o direito de aguardar em liberdade o trânsito em julgado da condenação”, diz parte da sentença.

Conforme as investigações da Polícia Civil, a ordem para matar Kesia da Silva, em janeiro de 2020, no Acre, partiu de Rita e uma outra mulher. Elas estavam em São Paulo e teriam assistido a execução de Kesia por videoconferência, após a jovem passar pelo ‘tribunal do crime’. As mulheres foram presas no dia 15 de outubro de 2021, durante a terceira fase da Operação Sinapse.

Desaparecimento e morte
Kesia sumiu no dia 28 de janeiro de 2020 em Rio Branco e, apesar de o corpo dela nunca ter sido encontrado, a polícia concluiu que a jovem foi morta. Em novembro do mesmo ano, a Justiça do Acre aceitou denúncia contra nove pessoas acusadas de participação na morte da jovem.

Em dezembro do ano passado, quatro pessoas foram condenadas a penas que, somadas, ultrapassaram 110 anos de prisão. O júri também ocorreu na 1ª Vara do Tribunal do Júri. O grupo respondeu pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, corrupção de menores, ocultação de cadáver e por integrar organização criminosa.

Entre os réus estavam: Thalysson Jesus da Silva, João Vitor da Cunha Pereira, Moisés Inácio da Silva, Ana Lúcia Barros de Oliveira, todos presos no Acre. Thalysson, Moisés Inácio e João Vitor foram condenados a 30 anos e 4 meses cada um. Já Ana Lúcia levou uma pena de 27 anos e 9 meses. Na decisão, a juíza Luana Campos negou o direito de os réus recorrerem a liberdade.

Em maio deste ano, os réus Camila Cristine de Souza Freitas e José Natanael Aquino Duarte foram condenados a penas que, somadas, chegaram a 60 anos por envolvimento na morte de Kesia. Eles foram condenados por homicídio, ocultação de cadáver, corrupção de menores e omissão. Camila foi condenada a 32 anos, 9 meses e 10 dias e José Natanael a 27 anos, 9 meses e 10 dias, em regime inicial fechado e sem direito de recorrer em liberdade.

Além desses seis que já foram condenados, Amanda de Lima Moura, que está foragida, Rita Rocha Nascimento e Veralucia Marques, que estão presas em São Paulo, também são acusadas do crime mas tiveram os processos desmembrados.

Crime assistido por videoconferência
Kesia sumiu após deixar o filho pequeno em uma lanchonete da família, na Estrada da Floresta, em Rio Branco. Ela tinha esquizofrenia, fazia tratamento contra a doença e tomava remédios.

As investigações da Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) apontaram que a ordem para matar a jovem partiu de duas mulheres que estavam em São Paulo.

A polícia concluiu ainda que a jovem foi morta, decapitada e esquartejada e depois teve o corpo jogado no Rio Acre. A motivação do crime seria porque a jovem teria mudado de facção criminosa e, então, foi vítima de uma retaliação.

Além dos nove acusados, dois adolescentes também foram apontados pela polícia como participantes do crime.