2 fevereiro 2026

Caso Géssica: policial que atirou em enfermeira já respondeu por outra morte de jovem em confronto

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Os dois policiais militares que atiraram e mataram a enfermeira Géssica Melo de Oliveira, de 32 anos, no último dia 2 de dezembro seguem presos. A vítima morreu após ser baleada em Senador Guiomard, no interior do Acre, durante uma perseguição policial do na BR-317.

enfermeira teve um pulmão e o estômago atingidos por dois tiros disparados pelo Grupo Especial de Fronteira (Gefron) durante perseguição policial.

Os militares presos estão:

  • sargento Gleyson Costa de Souza
  • sargento Cleonizio Marques Vilas Boas.

g1 entrou em contato com o advogado dos policiais, Matheus Moura, que informou que entrou com um habeas corpus nesta sexta-feira (8) no Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC).

“Ainda estamos requerendo o reconhecimento da ilegalidade da prisão, pedindo que ela seja relaxada, pelos inúmeros vícios insanáveis. Do mesmo modo, também requeremos a aplicabilidade de medidas cautelares diversas da prisão, como por exemplo o afastamento dos policiais do ostensivo (para trabalharem no setor administrativo), suspensão do porte de arma e monitoramento eletrônico”, disse o advogado.

Um dos militares envolvidos na morte da enfermeira, o sargento Cleonizio Vilas Boas, foi denunciado por homicídio contra o adolescente Álvaro Praxedes Santana, ocorrido no dia 1º de outubro de 2020, em Brasileia, interior do Acre. No entanto, por falta de provas suficientes, a Justiça arquivou o processo.

Na época, além do adolescente, um outro rapaz morreu em um confronto com Grupo Especial de Fronteira do Acre (Gefron), no município de Brasileia. Outros dois ficaram feridos. A polícia informou naquele ano que o grupo atuava com pichações e na tomada de território, fazia ameaças e disparos de arma de fogo.

Após a morte da enfermeira, o Ministério Público do Acre (MP-AC) abriu um inquérito civil para cobrar a aquisição e uso de câmeras operacionais portáteis pelas Forças de Segurança do Acre. Com objetivo de auxiliar o inquérito, a Promotoria Especializada de Tutela do Direito Difuso à Segurança Pública, marcou para o próximo dia 19 de dezembro uma audiência pública para discutir a utilização de câmeras corporais pelas forças de segurança. O evento acontecerá das 8h às 12h, no auditório do edifício-sede do MPAC.

Géssica Oliveira foi morta durante perseguição policial no interior do Acre — Foto: Arquivo pessoal

Géssica Oliveira foi morta durante perseguição policial no interior do Acre — Foto: Arquivo pessoal

O que diz a polícia

A coordenação do Gefron informou que um policial da equipe viu a motorista com uma arma nas mãos e atirou em direção ao carro na tentativa de pará-lo. Após os disparos, no quilômetro 102, nas proximidades da entrada do Ramal da Alcoolbrás, a enfermeira perdeu o controle do veículo, entrou em uma área de mata e bateu o carro em uma cerca.

Em nota, a Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Acre (Sejusp) disse que foram efetuados cinco disparos em direção ao veículo. Contudo, a família afirma que havia mais de dez perfurações no veículo. O carro foi retirado do local em cima de guincho e, conforme a família, levado para a PRF-AC.

Géssica tinha depressão e, possivelmente, teve um surto no sábado e saiu dirigindo em direção ao interior do estado. Após a morte, a polícia diz que achou uma pistola 9 milímetros jogada próximo ao local onde o carro parou. A arma é de uso restrito das forças armadas.

A família contesta a versão apresentada e diz que a enfermeira não tinha arma de fogo. Dois militares, que estavam na ação foram presos em flagrante e, nessa segunda-feira (4), a Justiça decretou a prisão preventiva dos policiais durante audiência de custódia. O Ministério Público Estadual (MP-AC) pediu a conversão da prisão em flagrante em preventiva. Os policiais seguem presos no Batalhão Ambiental, em Rio Branco.

MP-AC também instaurou, de ofício, um procedimento investigatório criminal para apurar possível crime de homicídio doloso que teria sido praticado pelos militares. A investigação ocorre independentemente da apuração anunciada pela Corregedoria da Polícia Militar do Acre e pela Polícia Civil.

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