4 de junho de 2026

Trabalho infantil cresce no Brasil durante Governo Bolsonaro, revela pesquisa do IBGE

Trabalho infantil cresce no Brasil durante Governo Bolsonaro, revela pesquisa do IBGE

Após três anos consecutivos de redução, o trabalho infantil apresentou um aumento no Brasil entre 2019 e 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro. No ano passado, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua sobre o Trabalho de Crianças e Adolescentes, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que 1,881 milhão de pessoas entre 5 e 17 anos estavam em situação de trabalho infantil.

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A pesquisa, que é conduzida desde 2016, identificou 2,112 milhões de pessoas nessa situação no primeiro ano de levantamento. Até 2019, esse número diminuiu consistentemente para 1,758 milhão. Devido à pandemia, a pesquisa não foi divulgada nos anos de 2020 e 2021.

O IBGE utiliza as orientações da Organização Internacional do Trabalho (OIT) para classificar o trabalho infantil, definindo-o como “aquele que é perigoso e prejudicial para a saúde e desenvolvimento mental, físico, social ou moral das crianças e que interfere na sua escolarização”. São consideradas também atividades informais e com jornadas excessivas.

Do total de crianças e adolescentes envolvidos em trabalho infantil, 24% (467 mil) realizavam apenas atividades de autoconsumo, como cultivo, caça, pesca, fabricação de roupas e construção de casa, entre outras.

Legislação e Crescimento

A legislação brasileira estabelece restrições ao trabalho infantil. Até os 13 anos, qualquer forma de trabalho é proibida. Dos 14 aos 15 anos, o trabalho é permitido apenas na forma de aprendiz. Aos 16 e 17 anos, há restrições quanto ao trabalho noturno, insalubre e perigoso.

O crescimento do trabalho infantil no país não se manifestou apenas em termos absolutos, mas também em termos proporcionais. Entre 2019 e 2022, enquanto a população de 5 a 17 anos diminuiu 1,4%, o contingente em situação de trabalho infantil aumentou 7%. Em 2019, 4,5% das pessoas nessa faixa etária estavam envolvidas em alguma forma de trabalho infantil, enquanto em 2022 esse percentual subiu para 4,9%.

Faixas Etárias e Demografia

O trabalho infantil se torna mais prevalente à medida que a idade avança. No grupo de 5 a 13 anos, a incidência é de 1,7%, saltando para 7,3% no grupo de 14 e 15 anos e atingindo 16,3% entre os jovens de 16 e 17 anos.

A pesquisa também destaca que homens e negros são mais representados nas estatísticas de trabalho infantil. Em 2022, enquanto os homens representavam 51% da população de 5 a 17 anos, entre as crianças e adolescentes em trabalho infantil essa proporção aumentava para 65%. Quanto à cor, os negros representavam 58,8% da população de 5 a 17 anos, chegando a 66,3% entre aqueles em situação de trabalho infantil.

Informalidade e Piores Formas de Trabalho Infantil

A pesquisa do IBGE também investigou o grau de informalidade no trabalho infantil desempenhado por pessoas de 16 e 17 anos. Estimou-se que 810 mil adolescentes estavam sem carteira assinada, resultando em uma taxa de informalidade de 76,6%, a maior da série histórica iniciada em 2016.

Em relação às piores formas de trabalho infantil, em 2022, 756 mil crianças e adolescentes estavam envolvidos em atividades listadas como as mais prejudiciais, representando 46,2% do total de pessoas de 5 a 17 anos envolvidas em atividades econômicas.

Rendimento e Educação

O rendimento médio mensal das pessoas de 5 a 17 anos envolvidas em trabalho infantil foi estimado em R$ 716 em 2022. O estudo revela que o rendimento cresce conforme a idade, partindo de R$ 246 para o grupo de 5 a 13 anos e atingindo R$ 799 para pessoas de 16 e 17 anos. Quanto à cor, o valor médio da população negra era de R$ 660, aumentando para R$ 817.

Via Agência Brasil.