24 de junho de 2026

Senado votará PEC que criminaliza porte de drogas, independentemente da quantidade

Senado votará PEC que criminaliza porte de drogas, independentemente da quantidade
Solenidade de posse dos senadores durante primeira reunião preparatória para 56ª Legislatura. À mesa, presidente da Mesa, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP). Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Na terça-feira (16), o Senado realizará a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que torna crime o porte e a posse de drogas, sem levar em consideração a quantidade.

Além disso, a PEC estabelece a necessidade de distinção entre traficante e usuário, com a aplicação de penas alternativas à prisão para aqueles que consomem substâncias ilícitas. Essencialmente, a proposta reflete o conteúdo já existente na Lei de Drogas, em vigor desde 2006.

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De autoria do presidente da Casa, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), a PEC surge em resposta ao avanço do Supremo Tribunal Federal (STF) em um julgamento sobre a descriminalização do porte de maconha em pequena quantidade para uso pessoal.

O debate no STF, que teve início em março, aborda diretamente a Lei de Drogas e conta com 5 votos favoráveis à descriminalização até o momento. No entanto, há divergências entre os ministros quanto aos critérios objetivos para definir o uso pessoal e as consequências jurídicas aplicáveis.

O entendimento no Senado é que, se aprovada em dois turnos pelos senadores e deputados, a PEC pressionará o STF a revisar o cerne do julgamento sobre o porte de maconha. Isso ocorre porque a proposta determinaria, por meio da Constituição, que não haverá tratamento diferenciado com base no tipo ou na quantidade de substância.

Ademais, inserir essa regra na Constituição, criminalizando tanto o consumo quanto o tráfico, pode encerrar discussões sobre a flexibilização das penas para usuários.

O relator da PEC, senador Efraim Filho (União-PB), destacou a importância da sessão de debates marcada para segunda-feira (15), que contará com a participação de especialistas como o médico Drauzio Varella e representantes de entidades de direitos humanos. Efraim espera que a PEC obtenha uma ampla maioria favorável na votação de terça-feira, ressaltando que o tema das drogas afeta diretamente a saúde e a segurança públicas, impactando as famílias brasileiras.

Por outro lado, o texto da proposta tem enfrentado críticas de entidades de defesa dos direitos humanos, que argumentam que a PEC representa um retrocesso inconstitucional, além de reforçar o racismo estrutural.