16 de junho de 2026

Relatório destaca bioeconomia como chave para combater pobreza na Amazônia

Relatório destaca bioeconomia como chave para combater pobreza na Amazônia

Um relatório elaborado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) em parceria com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) destaca a bioeconomia como um motor essencial para a geração de renda e combate à pobreza na região amazônica. Intitulado “Bioeconomia e Sociobiodiversidade Amazônica: um potencial eixo de integração dos países da Pan-Amazônia”, o documento oferece recomendações e instrumentos para apoiar políticas públicas na região.

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O relatório foi apresentado em um seminário realizado em 8 de maio, parte dos debates do G20 sobre a importância da bioeconomia para a integração dos países que compartilham a floresta amazônica. A diretora da Embrapa, Ana Euler, destacou o potencial da sociobiodiversidade para agregar valor à bioeconomia na região.

“Por trás de cada uma das cadeias, de cada uma das tecnologias que vamos apresentar, há uma relação histórica da Embrapa com comunidades e diversas instituições. As tecnologias e conhecimentos estão associados a processos territoriais”, afirmou Euler.

Ana Euler enfatizou que a bioeconomia na Amazônia não é homogênea, pois cada país tem sua própria vocação. “Mesmo quando olhamos para a Amazônia Brasileira, são várias Amazônias”, disse. Segundo o IBGE, a região conta com 200 milhões de hectares, mais de 200 etnias e 800 mil estabelecimentos agropecuários rurais.

Euler mencionou que a Embrapa está desenvolvendo um plano estratégico para ciência, tecnologia, inovação, mercado e negócios focado na bioeconomia. Outros participantes do painel incluíram Silvia Massruhá, presidente da Embrapa; Christian Fischer, representante-adjunto do IICA no Brasil; Patrícia Pinho, diretora-adjunta de Pesquisa do Ipam; Carina Mendonça, secretária de Bioeconomia do Ministério do Meio Ambiente; Moisés Savian, secretário de Governança Fundiária, Desenvolvimento Territorial e Socioambiental; Edith Paredes, diretora-administrativa da OTCA; e Hugo Chavarria, gerente de Programa do IICA.

Importância da Biodiversidade

O Brasil abriga cerca de 20% da biodiversidade do planeta, com 305 etnias indígenas e 28 segmentos de povos e comunidades tradicionais. “A bioeconomia é um ativo florestal importante que precisa ser pensado sob o ponto de conservação e manejo”, afirmou Savian.

Um dos desafios mencionados é incluir as cadeias da sociobioeconomia da Amazônia no crédito agrícola, atualmente focado na pecuária. Ana Euler destacou a importância de fortalecer redes de pesquisa, priorizar infraestrutura e lançar editais que atendam aos territórios e povos tradicionais. A Embrapa está realizando um diagnóstico de sua atuação na Amazônia, focando em sistemas produtivos sustentáveis, valorização do conhecimento local, justiça e inclusão social, e repartição equitativa de benefícios.