Início / Versão completa
MUNDO

Tentativa de golpe na Bolívia: análise de especialistas sobre a crise política e econômica

Por Redação 27/06/2024 07:24 Atualizado em 27/06/2024 07:24
Publicidade

Tanques e soldados do Exército tomaram a entrada do palácio presidencial em La Paz, Bolívia, na quarta-feira (26), em uma tentativa de golpe que remete às décadas de 1960 e 1970, quando ditaduras militares dominaram a América do Sul. Especialistas em Relações Internacionais explicaram à Agência Brasil o cenário que levou à fracassada tentativa de golpe na Bolívia.

Publicidade

Ato isolado

Os analistas concordam que o incidente foi um ato isolado do general Juan José Zúñiga, mais do que um movimento bem organizado com apoio de várias forças sociais. O general foi demitido do cargo de comandante do Exército na terça-feira (25) após ameaçar o ex-presidente Evo Morales.

“O general cometeu um erro de cálculo político. Ele acreditou que teria apoio ao ameaçar Evo Morales. Porém, o atual presidente boliviano manteve sua posição e removeu o general do comando. Isso deixou o general isolado e levou a uma tentativa de golpe improvisada, sem apoio significativo de outras lideranças das Forças Armadas ou de grupos sociais”, explicou Maurício Santoro, cientista político e professor de Relações Internacionais.

O presidente Luis Arce denunciou a tentativa de golpe em um vídeo, pedindo apoio da sociedade boliviana contra o golpe. Setores da oposição também se posicionaram contra o golpe, incluindo figuras como Jeanine Añez e Luis Camacho, que historicamente se opuseram a Evo Morales.

Publicidade

O general Zúñiga foi preso após a tentativa de golpe.

A situação econômica difícil do país é um fator crucial para entender o ato do general. O setor de gás natural, principal fonte econômica da Bolívia, enfrenta problemas, resultando em queda nas exportações e reservas internacionais reduzidas para cerca de US$ 3 bilhões. Isso dificulta a importação de produtos básicos como alimentos, remédios e combustíveis.

“O modelo econômico baseado no extrativismo pesado enfrenta resistência de grupos nacionais e multinacionais que querem se apropriar do excedente econômico, limitando as políticas públicas do governo”, explicou Nildo Ouriques, professor da UFSC.

A crise política é intensificada pelas disputas entre líderes e partidos, com as eleições presidenciais programadas para o próximo ano. O general Zúñiga ameaçou prender Evo Morales se ele se candidatasse à presidência, uma reminiscência da crise política de 2019 que resultou na deposição de Evo e intervenção militar.

Contexto Regional

Os pesquisadores destacam um contexto mais amplo de crise democrática na América do Sul, com o avanço de grupos de extrema-direita e tentativas de golpe fracassadas em outros países, como a Guatemala e o Brasil.

“A resposta internacional em defesa da democracia boliviana foi forte e imediata. Países da América do Sul e a Organização dos Estados Americanos se manifestaram rapidamente”, disse Maurício Santoro.

Via Agência Brasil.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.