16 de junho de 2026

UFRJ desenvolve sensor inovador para detecção rápida de água contaminada

UFRJ desenvolve sensor inovador para detecção rápida de água contaminada

Pesquisadores brasileiros desenvolveram um sensor de fibra óptica nano-biotecnológico capaz de detectar contaminação por coliformes fecais na água em apenas 20 minutos. O projeto é liderado pelo professor Marcelo Werneck, do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe/UFRJ), e financiado pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Publicado na revista Polymers, o estudo destaca-se pela rapidez, sensibilidade, baixo custo e facilidade de fabricação.

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Enquanto métodos tradicionais de detecção podem levar até dois dias para fornecer resultados, essa nova tecnologia oferece uma solução rápida e eficaz para monitorar a qualidade da água, especialmente em um momento crítico de escassez global de fontes de água limpa.

Werneck explica que a fibra óptica do sensor funciona de forma semelhante às usadas nas telecomunicações, mas utiliza fibras ópticas plásticas, que são mais acessíveis e fáceis de manipular. Essas fibras transmitem feixes de luz dentro do dispositivo, e qualquer alteração em sua superfície afeta a intensidade da luz recebida na outra extremidade, permitindo a detecção de alterações microscópicas causadas por bactérias.

Para detectar a presença da bactéria Escherichia coli na água, os pesquisadores fixaram anticorpos específicos na superfície da fibra utilizando nanopartículas de ouro. A nanotecnologia aprimora significativamente a aderência dos anticorpos, aumentando a sensibilidade do resultado. O dispositivo opera com dois sensores de fibra óptica em paralelo: um contendo os anticorpos e outro sem. A comparação dos resultados entre eles permite identificar a presença de bactérias com alta seletividade, eliminando a interferência de outros detritos na água.

Werneck afirma que a reprodução do sensor em larga escala é viável e de baixo custo. O objetivo da equipe é desenvolver um protótipo final que seja móvel e portátil, permitindo medições diretas nos locais suspeitos de contaminação, sendo útil em campanhas ou missões em áreas remotas do país.

“Nos próximos passos da pesquisa, estamos estudando a duração da fibra óptica funcionalizada com anticorpos. Também queremos aumentar ainda mais a sensibilidade para garantir que a água esteja totalmente livre de bactérias, adequada para consumo humano”, acrescenta. “Acreditamos que chegaremos a um produto mais compacto e sensível ainda este ano,” disse.

O professor destaca várias vantagens da tecnologia. “Uma das vantagens da fibra óptica é ser isolante. Na área elétrica, isso é uma grande vantagem, pois não carrega eletricidade e permite medições em locais controlados,” informou.

Na área de sensoramento de bactérias, Werneck mencionou que a grande vantagem é o tamanho reduzido do dispositivo, o que permite uma resposta mais rápida e a portabilidade necessária para levar o equipamento a campo. “Dessa forma, em missões de análise de contaminação, elimina-se a necessidade de trazer amostras para análise em laboratório. As análises iniciais podem ser realizadas no próprio local,” ressaltou.

Um dos próximos passos da pesquisa é converter o equipamento de laboratório em um dispositivo de campo, portátil e robusto. “Estamos trabalhando nessa frente agora,” afirmou.

Via Agência Brasil.