17 julho 2024

Câncer de bexiga mata mais de 19 mil no Brasil em 4 anos

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O câncer de bexiga, tipo de tumor mais incidente em homens, causou mais de 800 mil mortes no mundo e 19 mil no Brasil entre 2019 e 2022. Dados do Sistema de Informações do Ministério da Saúde (SIH/SUS) registram mais de 110 mil casos de neoplasia maligna da bexiga desde 2019. Assim como em outros tipos de câncer, o tabagismo é o principal fator de risco.

Julho é o mês de conscientização do câncer de bexiga. A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) utiliza este período para alertar sobre a importância da detecção precoce, quando as chances de cura são maiores. Nas redes sociais, posts, vídeos e lives com especialistas informam o público sobre a doença.

Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam que este ano devem ser registrados 11.370 novos casos de câncer de bexiga, sendo 7.870 em homens e 3.500 em mulheres, correspondendo a um risco estimado de 7,45 casos novos a cada 100 mil homens e 3,14 a cada 100 mil mulheres. Este é o sétimo câncer mais incidente entre os homens (exceto o de pele não melanoma), representando mais de 3% dos cânceres no sexo masculino.

“O câncer de bexiga tem como principal fator de risco o tabagismo, relacionado a mais de 50% dos casos. Portanto, eliminando esse hábito, conseguimos diminuir significativamente as chances de aparecimento desse tumor. Outro ponto fundamental na prevenção é seguir hábitos saudáveis, como manter uma alimentação balanceada, beber água em quantidade adequada e exercitar-se”, alerta o presidente da SBU, Luiz Otavio Torres.

O motorista Edgar Azevedo dos Santos, de 51 anos, descobriu a doença após uma dor lombar em 2017. Após um ultrassom detectar nódulos, ele passou por cirurgia e sessões de quimioterapia. “Eu nunca imaginaria que teria um câncer. Desde então, faço acompanhamentos periódicos”.

“Muitas pessoas desconhecem o câncer de bexiga, como se manifesta e quais são os principais vilões. A maioria sabe que o fumo pode levar ao câncer de pulmão, mas muitos não sabem que ele também é o principal causador do câncer de bexiga. Além disso, apesar de que muitas vezes causa sangramento na urina, geralmente no início é intermitente e não provoca dor, e por isso é comum as pessoas não darem a devida importância e retardarem a ida ao médico, podendo agravar o quadro”, esclarece a diretora de Comunicação da SBU e coordenadora das campanhas de conscientização da entidade, Karin Jaeger Anzolch.

Apesar de ser geralmente silencioso no estágio inicial, o tumor de bexiga pode provocar sintomas como sangue na urina, maior frequência urinária, ardência ao urinar, urgência para urinar e jato urinário fraco. “A presença de sangue visível na urina é o sintoma mais comum do câncer de bexiga e está presente em 80% dos pacientes. Outros sintomas comuns são aumento da frequência urinária, urgência miccional e dor para urinar. O câncer de bexiga pode ser também assintomático e detectado através de exames de imagem”, explica o coordenador do Departamento de Uro-Oncologia da SBU, Mauricio Dener Cordeiro.

O câncer de bexiga pode ser classificado de acordo com a célula que sofreu alteração:

  • Carcinoma de células transicionais (ou urotelial): A maioria dos casos, começa na camada mais interna da bexiga.
  • Carcinoma de células escamosas (ou epidermoide): Afeta as células delgadas e planas da bexiga, ocorre após infecção ou inflamação prolongadas.
  • Adenocarcinoma: Mais raro, inicia nas células glandulares (de secreção) após infecção ou irritação prolongadas.

Além do tabagismo, há outras ameaças como:

  • Exposição a substâncias químicas
  • Alguns medicamentos e suplementos dietéticos
  • Gênero e raça (homens brancos têm mais chances de desenvolver a doença)
  • Idade avançada
  • Histórico familiar

“O contato com substâncias químicas como as presentes em defensivos agrícolas e tinturas industriais também podem predispor à doença. Medicamentos como a pioglitazona, utilizada para controle do diabetes, já foram associados com o desenvolvimento do câncer de bexiga”, explica Fernando Korkes, supervisor da Disciplina de Câncer de Bexiga da SBU.

O diagnóstico do câncer de bexiga pode ser feito por exames de urina e de imagem, como ultrassom, tomografia computadorizada e cistoscopia (investigação interna da bexiga). Durante a cistoscopia, material pode ser retirado para biópsia. O tratamento varia conforme o estágio da doença e pode consistir em cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Novas medicações como imunoterapia e terapias alvo trazem benefícios para muitos pacientes. As plataformas robóticas auxiliam bastante nos casos em que é necessário remover a bexiga e fazer algum tipo de reconstrução.

De 2019 a 2022, o Sistema de Informações sobre Mortalidade registrou 19.160 óbitos por neoplasia maligna da bexiga, dos quais 12.956 (67,6%) eram do sexo masculino e 6.204 (32,3%) do sexo feminino.

Para Roni de Carvalho Fernandes, diretor da Escola Superior de Urologia da SBU, é essencial desenvolver políticas públicas eficazes para reduzir a incidência e mortalidade do câncer de bexiga. “Campanhas de conscientização e educação, identificar grupos de alto risco, garantir acesso a serviços de saúde e criar centros especializados são fundamentais. Implementar essas medidas requer colaboração entre profissionais de saúde, governos, instituições de pesquisa, organizações não governamentais e a comunidade”, afirma Fernandes.

(Com informações da Agência Brasil).

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