Início / Versão completa
ENTRETENIMENTO

A Revolução Acreana: como nordestinos confrontaram potências estrangeiras e anexaram o Acre ao Brasil

Por Redação 06/08/2024 09:09 Atualizado em 06/08/2024 09:09
Publicidade

A história da anexação do Acre ao Brasil é marcada por uma intensa luta envolvendo imigrantes nordestinos que enfrentaram americanos, ingleses e bolivianos para garantir o controle do território. Desde a ocupação inicial por seringueiros brasileiros na década de 1870, o Acre viu a tensão aumentar com o governo boliviano, que tentou retomar o controle da região.

Publicidade

Em 6 de agosto de 1902, Plácido de Castro iniciou a Revolução Acreana com a famosa frase “Não é festa, é revolução!” ao confrontar a Intendência boliviana em Xapuri, exatamente no dia em que a Bolívia comemorava sua independência do domínio espanhol. Esse evento marcava o início de um confronto que duraria até 1903, resultando na anexação do Acre ao Brasil.

A escolha da data, segundo o historiador Marcus Vinícius Neves, foi estratégica. Castro, um gaúcho de 26 anos com experiência na Revolução Federalista do Rio Grande do Sul, queria aproveitar a distração dos bolivianos durante suas festividades cívicas. Embora o início da revolução fosse planejado para 14 de julho, a falta de armas atrasou o ataque para 6 de agosto.

Mapa mostra locais onde os revolucionários enfrentaram o exército boliviano — Foto: Acervo Digital: Dept° de Patrimônio Histórico e Cultural – FEM

Os bolivianos inicialmente desconsideraram a presença brasileira no Acre, uma região remota e de pouca importância econômica até o final do século 19. A situação mudou quando o coronel boliviano José Manuel Pando, após um golpe malsucedido, reconheceu a importância estratégica e econômica da região.

Publicidade

Em 1899, a Bolívia tentou se estabelecer no Acre e cobrar impostos sobre a borracha, o que gerou uma revolta brasileira. Esse episódio foi o ponto de partida da Revolução Acreana. O Acre, rico em seringueiras, produzindo 60% da borracha mundial, tornou-se uma área de intenso conflito.

A Bolívia também tentou arrendar a região para o Bolivian Syndicate, uma empresa britânica com ligações com a família do presidente dos EUA, Theodore Roosevelt. O contrato permitia à companhia explorar o território por 30 anos, mas a resistência local levou a um conflito armado que culminou na compensação de 110 mil libras esterlinas pelo governo brasileiro para encerrar o arrendamento.

O último esforço de Plácido de Castro foi decisivo. Com um exército de seringueiros, ele tomou Xapuri e iniciou a fase mais violenta da Revolução. Estima-se que cerca de 500 pessoas tenham morrido durante os seis meses de combates, cujos detalhes são controversos e divergentes entre as fontes brasileiras e bolivianas.

A Revolução Acreana terminou com a assinatura do Tratado de Petrópolis em janeiro de 1903, reconhecendo o Acre como parte do Brasil. O legado da Revolução é visível até hoje na cultura e identidade acreana, marcada pela luta e resistência contínuas ao longo da história.

A história foi dramatizada na minissérie “Amazônia: de Galvez a Chico Mendes”, exibida pela TV Globo em 2007, que detalha a epopeia dos seringueiros e a complexa batalha pela anexação do Acre.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.