Início / Versão completa
Justiça

Empresário acusado de agredir professor em bar no Acre tem crime desclassificado para lesão corporal grave

Por Cris Menezes 16/09/2024 07:17
Publicidade
Paulo Henrique [à esquerda] foi agredido pelo empresário Adriano [à direita] — Foto: Arquivo pessoal

Pouco mais de 11 meses após a violenta agressão ao professor Paulo Henrique da Costa Brito, de 21 anos, o empresário Adriano Vasconcelos Correa da Silva, acusado pelo crime, teve a acusação de tentativa de homicídio desclassificada para lesão corporal grave. O caso ocorreu durante uma discussão em um bar no Centro da cidade de Brasiléia, no interior do Acre, no dia 3 de outubro de 2023.

Publicidade

Brito, que havia acabado de sair do trabalho e parou para tomar um chopp com amigos, foi brutalmente agredido, resultando na perda de seu olho esquerdo. Na época, a Polícia Civil indiciou Silva por lesão corporal grave após a conclusão do exame de corpo de delito, que confirmou a gravidade das lesões. A agressão foi registrada por câmeras de segurança, e ocorreu ao lado de uma viatura da Polícia Militar.

Após o indiciamento, o Ministério Público do Acre (MP-AC) denunciou Silva por tentativa de homicídio, argumentando que a agressão havia sido motivada por futilidade. Contudo, por falta de provas suficientes que demonstrassem a intenção de matar, o próprio MP-AC pediu a desclassificação do crime, que foi acatada pela Vara Criminal da Comarca de Brasiléia. A defesa do empresário concordou com a mudança, e Silva agora responderá por lesão corporal grave em vara comum.

Agressão deixou marcas físicas e emocionais

Publicidade

Professor mediador de crianças atípicas, Paulo Brito ainda lida com as consequências da agressão quase um ano após o ocorrido. Além da perda de visão, ele sofre com o impacto psicológico e físico da violência. Brito aguarda uma cirurgia para reconstrução do canal lacrimal, danificado pela agressão, o que causa lacrimação constante no local onde o globo ocular foi removido. No entanto, ele enfrenta a burocracia e a morosidade do Sistema Único de Saúde (SUS) para realizar o procedimento, já que a operação não pode ser feita no Acre, necessitando de Tratamento Fora de Domicílio (TFD).

“É desanimador, para falar a verdade. Já faz um ano e o agressor nem sequer me procurou para pedir desculpas. Estou numa fila aguardando uma cirurgia que deveria ter sido feita como emergência. O que me resta é esperar”, desabafou Brito.

Brito também relata a dificuldade de se adaptar à nova realidade de viver com a visão reduzida. Ele menciona que, por morar em uma cidade pequena, Epitaciolândia, frequentemente se depara com o agressor em locais públicos, o que torna o processo de superação ainda mais desafiador.

Apoio da família e esperança de justiça

Apesar de tudo, Brito reconhece o apoio crucial da família, amigos e da comunidade que se solidarizou com seu caso. Ele segue esperando por uma resposta da Justiça e deseja que o agressor seja responsabilizado pelos danos irreparáveis que sofreu.

“Minha vida mudou para sempre. Fui atingido de forma covarde, e minha família também foi profundamente impactada. O que eu espero é que a Justiça seja feita, porque agora vivo com uma deficiência que carrego para o resto da minha vida. Mas sou grato pela vida que tenho, e sigo tentando ser forte e lutar pelos meus sonhos, mesmo numa nova realidade”, concluiu o professor.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.