Início / Versão completa
Geral

Aumento alarmante de violências contra a comunidade LGBTQIA+ no Brasil

Por Cris Menezes 26/10/2024 10:06
Publicidade

O número de denúncias de violência contra a população LGBTQIA+ no Brasil tem aumentado significativamente. De acordo com dados do Disque 100, serviço do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC), foram registradas 5.741 denúncias até setembro deste ano, um aumento em relação aos 3.948 casos em 2022. Embora a maioria dos registros venha de homens gays, as principais vítimas de agressões são pessoas transexuais e travestis.

Publicidade

Ricardo de Mattos Russo, professor do Departamento de Enfermagem de Saúde Pública da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), aponta que o aumento das denúncias reflete uma maior conscientização e resistência por parte da população LGBTQIA+. “Estamos em um momento político de confrontação entre grupos que reivindicam seus direitos e uma sociedade tradicional, o que contribui para um ambiente de ódio”, explica.

As denúncias de violência revelam um perfil específico dos denunciantes: homens gays e brancos, entre 20 e 40 anos. Segundo Carla Appollinário de Castro, professora do Departamento de Direito Privado da UFF, esse grupo é mais propenso a se ver como sujeito de direitos, enquanto muitas vítimas de violência, especialmente mulheres trans e travestis, enfrentam exclusão e opressão.

Um exemplo recente é o caso de Ariela Nascimento, ativista e estudante da UFF, que foi agredida em Cabo Frio enquanto estava com seu namorado. Após uma ofensa transfóbica em um bar, Ariela e Bruno foram seguidos por agressores armados com paus, que os atacaram em plena rua. Ariela conseguiu escapar e buscar atendimento médico, mas a experiência foi marcada por transfobia também na unidade de saúde, onde amigos e aliados enfrentaram desrespeito ao tentar ajudá-la.

Publicidade

Dados do Observatório Nacional dos Direitos Humanos (ObservaDH) mostram que, em 2022, 11.120 pessoas LGBTQIA+ foram vítimas de violência em decorrência de sua orientação sexual ou identidade de gênero, com a maioria dos casos de violência física (7.792) e psicológica (3.402).

A discriminação e o preconceito que motivam essas agressões são frequentemente alimentados por ignorância e intolerância. Além disso, muitas vezes os agressores são conhecidos das vítimas, incluindo familiares e ex-parceiros. A violência contra a população LGBTQIA+ é uma questão complexa que envolve fatores sociais, econômicos e raciais, como destacou Cláudio Nascimento, diretor da Aliança Nacional LGBTI+.

Apesar do reconhecimento da LGBTQIA+fobia como crime pelo Supremo Tribunal Federal em 2019, a sociedade ainda enfrenta desafios na luta por direitos iguais. Embora a lei tenha sido atualizada para punir a discriminação, a mudança na sociedade requer um esforço contínuo para debater e educar sobre orientação sexual e identidade de gênero.

Ariela Nascimento, que já enfrentou outras formas de violência, denuncia a falta de seriedade em seu caso, refletindo a impunidade que muitas vítimas enfrentam. “Precisamos dar uma resposta ao que aconteceu, para que essa situação não seja esquecida. O Brasil continua sendo o país que mais mata a população LGBTQIA+”, afirma.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) reconheceu a gravidade da situação, emitindo medidas cautelares para proteger Ariela e sua equipe, destacando o risco à vida e integridade pessoal. As mudanças sociais e jurídicas são fundamentais para que a população LGBTQIA+ possa viver com dignidade e segurança.

Matéria ORIGINAL do site Agência Brasil.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.