24 de junho de 2026

PCC teria oferecido R$ 3 milhões para execução de empresário delator, aponta defesa

PCC teria oferecido R$ 3 milhões para execução de empresário delator, aponta defesa
Vinicius Gritzbach foi morto no Aeroporto Internacional de São Paulo — Foto: Reprodução/TV Globo
Vinicius Gritzbach foi morto no Aeroporto Internacional de São Paulo — Foto: Reprodução/TV Globo

Em um áudio revelado pela defesa de Vinicius Gritzbach, ex-integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) e delator da facção, a organização criminosa teria oferecido R$ 3 milhões para quem o matasse. Vinicius, que colaborava em um acordo de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo, foi assassinado na última sexta-feira (8), em frente ao desembarque do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.

O áudio teria sido gravado em 2023 e, segundo a defesa de Vinicius, ele capturou uma conversa telefônica por viva-voz entre um investigador do Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) e um advogado vinculado ao PCC, suspeito de lavar dinheiro para a facção. No áudio, o advogado pergunta ao policial se ele aceitaria matar Vinicius por R$ 300 mil. Após uma troca de provocações, o advogado aumenta o valor para R$ 3 milhões. A gravação faz parte da delação premiada homologada pela Justiça, onde Vinicius delatou tanto membros da facção quanto agentes de segurança envolvidos em corrupção.

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Vinicius foi alvejado em plena área de desembarque por dois homens encapuzados e armados com fuzis, que fugiram logo após o crime. Um motorista de aplicativo foi também atingido e morto, enquanto outras três pessoas ficaram feridas no ataque. As câmeras de segurança registraram toda a ação, e a Secretaria da Segurança Pública (SSP) formou uma força-tarefa para investigar o caso, que tem como foco identificar os mandantes e executores do assassinato.

Antes de ser morto, Vinicius havia denunciado cinco policiais civis e um agente penitenciário por extorsão, alegando que agentes do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) exigiram R$ 40 milhões para interromper as investigações sobre seu possível envolvimento em homicídios de membros do PCC. Ele também havia sido ameaçado pela facção devido a uma dívida não quitada.

Em resposta às denúncias, a SSP afastou preventivamente os policiais civis acusados e oito agentes da Polícia Militar que atuavam como seguranças pessoais de Vinicius, um serviço que é proibido para policiais em serviço. A investigação apura a possível participação de membros do PCC e de outros envolvidos, incluindo policiais e devedores. Até o momento, nenhum suspeito foi preso ou identificado.