7 de junho de 2026

Randolfe Rodrigues propõe fim do voto duplo ao Senado, desafiando estratégias eleitorais no Acre

Randolfe Rodrigues propõe fim do voto duplo ao Senado, desafiando estratégias eleitorais no Acre

O modelo de votação para o Senado, previsto na Constituição de 1988, está no centro de um novo debate político. Com mandatos de oito anos e eleições alternadas a cada quatro anos, o sistema permite a renovação de um terço ou dois terços das 81 cadeiras da Casa. No entanto, as chamadas “eleições em dobradinhas” para o Senado têm gerado críticas, com possíveis implicações para as chapas políticas do Acre em 2026.

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Em 2018, no estado, a chapa do então governador Gladson Cameli elegeu os senadores Sérgio Petecão (reeleito) e Márcio Bittar (em seu primeiro mandato). Agora, essa estratégia pode se repetir em 2026, com Cameli (PP) e Bittar (possivelmente pelo PL) concorrendo ao Senado, enquanto apoiam nomes como Alan Rick (UB) ou Mailza Assis (PP) para o governo. Pela oposição, Sérgio Petecão (PSD) e Jorge Viana (PT) podem formar outra dobradinha, buscando uma aliança com um candidato ao governo ainda não definido.

Proposta de Randolfe Rodrigues

O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo Lula no Senado, questiona o sistema atual e defende o fim do voto duplo para o Senado, no qual eleitores escolhem dois candidatos para o mesmo mandato. Pela proposta, cada eleitor passaria a votar em apenas um candidato, reduzindo a possibilidade de dobradinhas ideológicas.

“Em democracias modernas, como nos EUA e na Argentina, o princípio é ‘um homem, um voto’. Essa ideia de dois votos para o Senado é uma invenção brasileira”, declarou Randolfe, citando modelos de parlamentos bicamerais em outros países.

A proposta gerou forte resistência na oposição, que acusou o senador de casuísmo, argumentando que a medida prejudicaria candidatos de direita nas eleições de 2026. Randolfe rebateu, dizendo que o projeto fortalece o voto de opinião e promove maior clareza ideológica no pleito.

Diante da controvérsia, Randolfe retirou o projeto, mas afirmou que pretende retomá-lo durante o debate da reforma eleitoral em 2025. “O Código Eleitoral é o ambiente ideal para discutir esse tema. Precisamos aperfeiçoar nossa democracia, e o debate sobre o voto único é essencial para isso”, concluiu.

Se aprovado, o projeto pode impactar diretamente estratégias eleitorais em estados como o Acre, onde as dobradinhas têm sido fundamentais para garantir a eleição de senadores aliados.