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MUNDO

Lobos extintos há 12 mil anos voltam à vida com ajuda da ciência, entenda

Por Cris Menezes 08/04/2025 10:27 Atualizado em 08/04/2025 10:31
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Uma empresa de biotecnologia dos Estados Unidos anunciou um feito inédito: o nascimento de três filhotes de lobo-terrível, uma espécie extinta há cerca de 12.500 anos. Os animais foram recriados por meio de técnicas avançadas de engenharia genética e clonagem, e representam o primeiro caso bem-sucedido de “desextinção” no mundo, segundo a Colossal Biosciences, empresa responsável pelo projeto.

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O lobo-terrível, que inspirou os lobos gigantes da série Game of Thrones, foi um dos principais predadores da América do Norte na Era do Gelo. Maior que o lobo-cinzento atual, ele possuía uma estrutura corporal robusta, cabeça larga, mandíbula forte e pelagem espessa e clara.

Lobos gigantes eram alguns dos animais de estimação exóticos da série Game Of Thrones • Foto: Divulgação/HBO

Usando DNA retirado de fósseis — um dente de 13 mil anos e um crânio com 72 mil anos — os cientistas da Colossal conseguiram reconstruir o genoma do lobo-terrível. A partir disso, editaram genes do lobo-cinzento, seu parente mais próximo, para incorporar características do animal extinto. Foram feitas 20 modificações genéticas em 14 genes antes que as células editadas fossem clonadas e inseridas em óvulos doados. As gestações ocorreram em cadelas de grande porte, usadas como mães de aluguel.

O resultado foi o nascimento de dois filhotes machos, em outubro de 2024, e uma fêmea, em janeiro de 2025. Os três vivem agora em uma área protegida de mais de 800 hectares, cercada e monitorada por drones, câmeras e equipes de segurança. A instalação foi aprovada por órgãos reguladores nos Estados Unidos.

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A Colossal afirma que este é apenas o primeiro passo de uma jornada maior. Desde sua criação, em 2021, a empresa também trabalha na reintrodução de outras espécies extintas, como o mamute-lanoso, o dodô e o tigre-da-Tasmânia. A expectativa é que o primeiro mamute ressuscitado nasça até 2028.

Apesar do entusiasmo, o projeto levanta questionamentos. Especialistas apontam que, mesmo com o sucesso científico, os lobos recriados são, geneticamente, 99,9% lobo-cinzento — e há dúvidas sobre o quanto isso realmente os torna “lobos-terríveis”. Ainda assim, a aparência e o comportamento dos filhotes se aproximam bastante da espécie original.

Outro ponto de debate é o impacto ecológico dessas espécies trazidas de volta. Para Christopher Preston, professor de filosofia ambiental, a reintegração de animais extintos aos ecossistemas pode ser complexa. “Em alguns estados dos EUA, já é difícil manter populações de lobos cinzentos. Introduzir lobos-terríveis pode gerar ainda mais resistência política e ambiental”, avalia.

Por outro lado, a tecnologia usada no experimento com os lobos já começa a beneficiar espécies vivas. A Colossal anunciou também o nascimento de duas ninhadas de lobos-vermelhos clonados — uma espécie criticamente ameaçada — usando técnicas menos invasivas de clonagem desenvolvidas durante o projeto.

A empresa reforça que tem tomado todos os cuidados para evitar danos aos animais envolvidos e garantir que as modificações genéticas não causem problemas de saúde. Para o CEO da Colossal, Ben Lamm, este é apenas o começo de uma nova era: “Conseguimos provar que a desextinção é possível. Agora, queremos usar essa tecnologia para ajudar a preservar o que ainda pode ser salvo.”

Com informações da CNN Brasil.

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