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POLICIAL

Policiais acusados de matar enfermeira Géssica Melo passam por audiência de instrução no Acre na próxima segunda-feira

Por Cris Menezes 11/04/2025 09:28 Atualizado em 11/04/2025 09:28
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Os policiais militares Gleyson Costa de Souza e Cleonizio Marques Vilas Boas vão enfrentar audiência de instrução na próxima segunda-feira (14), conforme decisão do juiz Romário Divino Faria, da comarca de Senador Guiomard. Eles são acusados de matar a enfermeira Géssica Melo de Oliveira, de 32 anos, após ela furar um bloqueio policial em Capixaba, no interior do Acre, no dia 2 de dezembro de 2023.

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A audiência será determinante para definir se os dois serão levados a júri popular. Eles foram denunciados pelo Ministério Público do Acre (MP-AC) por homicídio duplamente qualificado e fraude processual. Atualmente, os dois seguem em prisão domiciliar.

Durante o processo, o MP se posicionou contra a realização de uma reprodução simulada dos fatos, afirmando que as investigações e os depoimentos já esclareceram a dinâmica do crime. Também foram rejeitados pedidos da defesa que buscavam levantar informações sobre a saúde mental da vítima — considerados pelo MP tentativas de manchar a imagem de Géssica. O juiz indeferiu esses pedidos e reafirmou que quaisquer dúvidas poderão ser resolvidas durante a audiência de instrução.

O caso

Géssica foi morta com dois tiros após ser perseguida por uma viatura da Polícia Militar na BR-317. Inicialmente, a PM afirmou que ela estaria armada, e uma pistola 9mm foi encontrada perto do local. No entanto, laudos periciais comprovaram que a arma não pertencia à enfermeira e nem tinha seu DNA — apenas material genético masculino foi detectado. Além disso, o carro dirigido por ela foi atingido por 13 disparos de fuzil.

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As investigações do MP concluíram que houve intenção de matar, além de tentativa de forjar provas no local, o que caracterizou também o crime de fraude processual. Imagens obtidas pela imprensa mostraram o início da perseguição ainda na área urbana de Capixaba.

Os PMs foram denunciados em julho de 2024. O Ministério Público alegou motivo torpe e uso de recurso que impediu a defesa da vítima. Também pediu a perda do cargo público dos acusados e uma indenização de R$ 100 mil à família de Géssica.

Cleonizio Vilas Boas já havia sido indiciado por outro homicídio em 2020, envolvendo um adolescente, mas o caso foi arquivado por falta de provas.

A pistola usada para tentar incriminar Géssica foi identificada como uma arma de uso restrito que deveria ter sido destruída pelo Exército em 2017 — o que levanta suspeitas ainda maiores sobre a conduta dos policiais.

A vítima

Géssica morava no bairro Jorge Lavocat, em Rio Branco, era enfermeira e mãe de três filhos pequenos. Segundo familiares, ela sofria de depressão e havia tido um surto semanas antes do caso. Seu irmão, José Nilton, afirma que a família está indignada com a forma como tudo ocorreu.

“Minha irmã nunca fez mal a ninguém. Era uma mulher batalhadora, que só queria viver em paz com os filhos. Não vamos aceitar que isso fique impune”, disse ele.

A defesa dos policiais alega que a ação foi necessária para conter uma ameaça, mas os laudos, depoimentos e registros apontam em outra direção. A audiência da próxima semana será decisiva para os rumos do caso.

Com informações do G1 Acre.

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