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Projeto revela espécies raras no Acre, incluindo roedor gigante, saguis exclusivos e ave nunca fotografada no Brasil

Por Cris Menezes 29/04/2025 10:27 Atualizado em 29/04/2025 10:27
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Foto: Projeto Rio Muru

Um levantamento feito no Acre pelo Projeto REDD+ Rio Muru revelou uma biodiversidade surpreendente entre os municípios de Tarauacá e Feijó. Com o uso de armadilhas fotográficas e expedições de campo, pesquisadores registraram espécies raras e ameaçadas, como o pacarana — terceiro maior roedor do mundo —, além de primatas encontrados quase exclusivamente no estado e uma ave registrada pela primeira vez em território brasileiro.

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O projeto, que protege mais de 40 mil hectares de floresta e gera créditos de carbono, é desenvolvido em parceria com a Associação Onçafari. A área monitorada inclui as Fazendas Seringal Ouro Preto, em Tarauacá, e Guajará, em Feijó.

Pacaranas e sua convivência rara

Foto: Projeto Rio Muru

Um dos destaques foi o flagrante de quatro pacaranas (Dinomys branickii) em um barreiro, local usado por animais para suplementar minerais na dieta. Pesando até 15 kg, a espécie é considerada rara no Brasil e tem registros quase exclusivos no Acre e no oeste do Amazonas.

Segundo o ornitólogo Fábio Olmos, diretor científico da empresa responsável pelo projeto, a cena mostra um comportamento social pouco documentado: “Elas podem estar em grupos familiares ou apenas convivendo de forma amistosa.”

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Micos exclusivos do Acre

Foto: Projeto Rio Muru

O projeto também ampliou o conhecimento sobre a distribuição do sagui-de-manto-branco (Leontocebus melanoleucus), antes restrito à região entre os rios Juruá e Tarauacá. Agora, os animais também foram registrados entre os rios Tarauacá e Envira.

Os micos-brancos foram vistos junto a saguis-imperadores (Saguinus imperator), os “bigodeiros”, com quem mantêm uma convivência pacífica. “Os brancos são mais curiosos e sociáveis, enquanto os bigodeiros são reservados”, explicou Olmos.

Ave inédita no Brasil

Foto: Projeto Rio Muru

Entre as 376 espécies de aves catalogadas, um registro chamou atenção: o dançador-de-cauda-graduada (Ceratopipra chloromeros) foi fotografado pela primeira vez no Brasil. A espécie já havia sido identificada em áreas próximas ao Peru e Bolívia, mas nunca em território nacional.

“Foi um momento especial. A equipe comemorou muito”, contou o ornitólogo responsável pelo registro. A descoberta reforça o potencial da região para o ecoturismo de observação de aves.

Predadores e ecossistema saudável

Foto: Projeto Rio Muru

As armadilhas também registraram grandes predadores como onça-pintada, maracajá-grande, cachorro-do-mato-de-orelha-curta, harpia e uiraçu. A presença desses animais indica que o ecossistema permanece equilibrado.

Foto: Projeto Rio Muru

Outras espécies importantes, como queixadas, antas, macacos-aranha e barrigudos — conhecidos como engenheiros ecológicos — também foram documentadas.

Potencial científico e econômico

Foto: Projeto Rio Muru

Para os pesquisadores, os resultados são apenas o começo. “Estamos só arranhando a superfície. Com o tempo, mais descobertas virão”, afirma Olmos. O projeto também tem planos de impulsionar o turismo de natureza e atrair cientistas interessados na fauna local.

Segundo Alexandre Bossi, diretor da empresa que desenvolve o projeto, a meta é mostrar que é possível conciliar conservação com retorno econômico: “Queremos transformar a bioeconomia da região, atraindo investimentos sustentáveis.”

Informações via G1 Acre.

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