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MUNDO

Último apelo do papa Francisco foi pela paz em Gaza e na Ucrânia

Por Cris Menezes 22/04/2025 09:53 Atualizado em 22/04/2025 09:53
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© VATICAN MEDIA/REUTERS.

Ao longo dos 12 anos de seu pontificado, o papa Francisco fez da defesa da paz uma de suas maiores bandeiras. Em sua última aparição pública, no domingo de Páscoa (20), ele voltou a pedir o fim da guerra na Ucrânia e um cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza.

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Desde o início dos conflitos, Francisco condenou com frequência a violência e demonstrou solidariedade às vítimas. No caso de Gaza, o papa manteve contato constante com a comunidade local. Chegou a telefonar quase todas as noites para a paróquia da região para saber como estavam os fiéis. “É com dor que penso em Gaza. Ontem foram bombardeadas crianças. Isto é crueldade. Isto não é guerra”, afirmou no Natal de 2024.

O pontífice chegou a questionar se as ações militares de Israel em Gaza poderiam ser consideradas genocidas, criticou a desproporcionalidade dos ataques e defendeu insistentemente a entrada de ajuda humanitária, barrada por Israel. “A defesa deve ser sempre proporcional ao ataque. Quando é desproporcional, há uma tendência de dominação que ultrapassa a moralidade”, disse, em setembro de 2024.

Segundo o padre Gabriel Romanelli, pároco da Igreja da Sagrada Família em Gaza, o último telefonema do papa aconteceu no sábado (19). “Esperamos que seus apelos sejam atendidos: que as bombas cessem, que a guerra termine, que os reféns e prisioneiros sejam libertados e que a ajuda humanitária chegue de forma contínua”, declarou Romanelli ao Vatican News.

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Desde o início do conflito, Francisco tentou mediar o diálogo entre Rússia e Ucrânia. O Vaticano manteve contato com representantes dos dois países para tentar promover acordos, trocas de prisioneiros e períodos de trégua.

Em novembro de 2022, o papa afirmou a jornalistas que considerava o conflito uma nova guerra mundial. “Em um século, já são três guerras mundiais. Esta é global, porque os impérios, ao se enfraquecerem, fazem guerra para parecerem fortes e venderem armas. A indústria armamentista é hoje uma das maiores calamidades do mundo”, declarou.

Em outubro de 2024, o papa publicou sua última encíclica, documento de maior peso dentro da Igreja, na qual voltou a condenar os conflitos e alertou que o mundo está perdendo a empatia.

“Vendo guerras sucessivas, com cumplicidade ou indiferença de outros países, ou disputas de poder em torno de interesses próprios, é possível dizer que a sociedade mundial está perdendo o coração”, escreveu. Francisco destacou o sofrimento de avós que choram por netos mortos ou pela perda de suas casas. “Ver essas avós chorando sem que isso nos abale é sinal de um mundo sem coração”, lamentou.

Desde a encíclica Laudato Si’, de 2015, o papa já previa o aumento de guerras motivadas por escassez de recursos, alertando que muitos conflitos poderiam ser disfarçados de causas nobres.

Via Agência Brasil.

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