Início / Versão completa
ACRE

“Queremos viver em paz!”: moradores da Cidade do Povo fazem passeata contra a violência em Rio Branco

Por Queren Ramos 01/05/2025 19:34
Publicidade

Na tarde desta quinta-feira (1º), centenas de moradores do Conjunto Habitacional Cidade do Povo, em Rio Branco, saíram às ruas em uma passeata pacífica com um objetivo claro: pedir paz. O ato, realizado no feriado do Dia do Trabalhador, foi organizado por lideranças de igrejas católicas e evangélicas do bairro, e recebeu o apoio da Polícia Militar do Acre. O movimento simbolizou um grito coletivo contra a crescente violência que assola a comunidade.

Publicidade

A Cidade do Povo é frequentemente associada a altos índices de criminalidade. Considerado um dos bairros mais perigosos do Acre, o local registra recorrentes tentativas de homicídio, apreensões de armas e drogas, prisões de integrantes de organizações criminosas e assassinatos. Segundo dados da segurança pública, mais de 200 pessoas monitoradas pela Justiça atualmente residem nas quadras do conjunto habitacional.
O cenário de insegurança tem deixado a população local em constante estado de alerta. Com medo e esperança ao mesmo tempo, os moradores decidiram transformar o Dia do Trabalhador em um momento de união e resistência. Faixas com mensagens como “Queremos viver sem medo”, “Paz para nossas crianças” e “Violência não nos representa” foram erguidas durante a caminhada, que percorreu as principais ruas do bairro.

Nos últimos dias, a Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Acre (SEJUSP-AC) implementou a chamada “Operação Ocupação”, com reforço policial constante em pontos estratégicos da Cidade do Povo. A operação tem como meta desarticular as ações de grupos criminosos e devolver à população a sensação de segurança. A presença mais efetiva das forças policiais tem sido vista como um passo importante, embora ainda insuficiente para transformar a realidade de forma permanente.

A passeata teve início por volta das 16h e contou com a participação de moradores de todas as idades, líderes comunitários, representantes religiosos e agentes de segurança. Durante o trajeto, músicas religiosas e palavras de encorajamento foram entoadas, criando um clima de união e fé diante das adversidades enfrentadas pela comunidade.

Publicidade

Para os organizadores do ato, a manifestação é um marco de resistência e um pedido por políticas públicas mais eficazes. “Não podemos normalizar a violência. Nossos jovens estão sendo aliciados, nossas famílias vivem com medo. Esta caminhada é uma semente de esperança que plantamos hoje”, declarou um dos líderes religiosos presentes.

Além do clamor por segurança, o ato também serviu como um espaço de escuta e acolhimento. Muitos moradores relataram histórias pessoais de perdas e traumas causados pela violência cotidiana. A mobilização social reforçou o apelo por investimentos em educação, cultura, esporte e oportunidades de trabalho — medidas consideradas fundamentais para a transformação do bairro a longo prazo.

A Polícia Militar, que acompanhou e garantiu a segurança durante todo o evento, reforçou o compromisso da corporação em continuar as ações de patrulhamento e combate ao crime no bairro. Segundo o comando da PM, a presença da comunidade nas ruas é uma demonstração clara de que a sociedade está disposta a lutar por dias melhores.

O movimento pacífico da Cidade do Povo ecoa como um exemplo de mobilização social em meio a um cenário adverso. A voz dos moradores, unida por um desejo coletivo de paz, demonstra que mesmo nas áreas mais vulneráveis, a esperança e a união ainda têm força para provocar mudanças.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.