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Colunista do Metrópoles, Noblat foi monitorado pela Abin Paralela

Por Metrópoles 19/06/2025 09:26
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O colunista do Metrópoles Ricardo Noblat foi um dos profissionais da imprensa monitorados por uma estrutura clandestina da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mostra relatório da Polícia Federal (PF) cujo sigilo foi retirado nessa quarta-feira (19/6) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A conclusão foi inserida no âmbito da investigação sobre as ações da chamada Abin Paralela.

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Segundo o documento, a Abin Paralela monitorou ilegalmente autoridades dos Três Poderes, jornalistas e servidores públicos entre fevereiro de 2019 e abril de 2021. No caso de Noblat, as consultas ocorreram em 23 de julho de 2020, quando o profissional escrevia para a Revista Veja, e duraram aproximadamente três horas. Segundo a PF, as buscas tiveram início por volta do meio-dia, na mesma manhã em que o jornalista publicou uma matéria com críticas ao então presidente Jair Bolsonaro e a militares de seu governo. Além de Noblat, a esposa dele, Rebeca Scatrut, também foi alvo das buscas, diz a PF.

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Jornalista Ricardo Noblat

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Igo Estrela/Metrópoles2 de 3

Jornalista Ricardo Noblat

Sérgio Amaral/Divulgação3 de 3

Jornalista Ricardo Noblat

O colunista do Metrópoles afirmou que desconhecia o monitoramento e comparou a situação com o período da ditadura militar. “Isso me lembra muito o tempo da ditadura. Embora tenha sido uma ação atribuída a um governo que atuava em um período democrático, na época do regime militar de 64 isso era algo muito comum”, afirmou.

Para Noblat, o episódio é um sinal de alerta. “Ver isso se repetir depois de 40 anos de democracia restabelecida no país serve de alerta para quem acha que nossas instituições estão sólidas, resistentes, imunes a retrocessos. Eu acredito que as instituições são fortes, mas também que a democracia, em todo o mundo, está ameaçada e enfraquecida.”

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O jornalista apontou ainda que a prática de monitorar a imprensa é inaceitável. “Não me surpreende que isso tenha acontecido, porque a obsessão do Bolsonaro, desde que assumiu a Presidência, era dar um golpe. E o país correu, como se vê, um sério risco”, afirmou.

Noblat questionou também o motivo de vigiar jornalistas: “O mais curioso é: por que monitorar jornalistas, se o que escrevemos é público? Se o que apuramos é publicado e acessível a todos? Monitorar para quê? Para tentar se antecipar ao que vamos divulgar? É lamentável termos passado por esse período.”

Outros monitorados

Ao todo, a Abin Paralela realizou 60.734 consultas de geolocalização, atingindo cerca de 1,8 mil linhas telefônicas. Segundo a investigação, o esquema não seguia nenhum planejamento formal e tampouco tinha registros documentais, o que dificultou o rastreamento das ordens e da cadeia de comando. Veja nomes monitorados:

Poder Judiciário

Poder Legislativo

Poder Executivo

Jornalistas

Operação clandestina

As investigações revelaram que as operações da chamada “Abin Paralela” ocorreram de forma clandestina, sem registros documentais e fora de qualquer controle institucional. O sistema “First Mile” foi utilizado por agentes da Abin para rastrear a localização de alvos em tempo real.

A PF também identificou tentativas de ocultação de provas, com a exclusão dos registros eletrônicos (logs) de uso do sistema, dificultando a identificação de quem executou cada consulta.

Segundo os investigadores, o sistema foi usado para monitorar adversários políticos, servidores públicos e jornalistas de maneira ilegal e sem qualquer base legal.

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