Início / Versão completa
ENTRETENIMENTO

DNA-HPV: conheça o teste que irá substituir o papanicolau no SUS

Por Portal Leo Dias 16/06/2025 08:26
Publicidade

O Sistema Único de Saúde (SUS) iniciou a substituição do teste citopatológico, conhecido como papanicolau, para a detecção do HPV (sigla em inglês para Papilomavírus Humano). O exame que passará a ser utilizado em todo o país é o exame molecular de DNA-HPV. A mudança começou em maio e, segundo o Ministério da Saúde, será feita gradualmente.

Publicidade

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), esse tipo de rastreamento é mais eficaz na detecção do risco de câncer de colo do útero. Com isso, o tempo de intervalo entre as coletas tende a aumentar para até cinco anos — ao contrário do antigo método, utilizado no Brasil desde os anos 80, que requer uma frequência maior.

Veja as fotos

ovo protocolo de rastreamento do HPV promete maior precisão e ampliação do intervalo entre os exames.Foto/SUS
Ministério da SaúdeReprodução: gov.br
DNA
SUS deve realizar cirurgia para lábio leporino e fenda palatinaFoto/SUS
Governo lança programa para agilizar consultas com especialistas no SUSReprodução/Agência Brasil

A mudança promete trazer ganhos significativos para a saúde pública nacional. O HPV atinge cerca de 10 milhões de pessoas no país, e é o causador de mais de 99% dos casos de câncer do colo do útero. Esse tipo é o terceiro mais comum entre as mulheres brasileiras, com cerca de 17 mil novos casos por ano.

Papanicolau ou DNA-HPV

Para entender a diferença entre os testes, o portal LeoDias conversou com Wanuzia Miranda, doutora em medicina tropical e ginecologista da Mobius, empresa de medicina diagnóstica. Segundo a especialista, um dos principais ganhos está na ineficácia do papanicolau em alguns casos.

Publicidade

Isso porque, caso o conteúdo coletado seja insatisfatório, a leitura da amostra será dificultada, causando prejuízos à paciente. Já os exames de biologia molecular permitem a realização da genotipagem para detectar a presença do vírus com antecedência a uma possível lesão cancerígena.

“Há uma subjetividade muito grande na interpretação das atipias citopatológicas, e isso faz com que haja muita discordância entre observadores da mesma amostra. Também não podemos negar que o índice de falsos negativos é muito grande e isso é um prejuízo, pois dá tempo da neoplasia evoluir para casos mais graves”.

Além disso, o DNA-HPV é capaz de detectar o papilomavírus humano mesmo quando há baixa carga viral, já que utiliza a técnica de PCR para amplificar sequências específicas de DNA.

Benefícios da realização do DNA-HPV

O papanicolau era indicado anualmente para mulheres acima de 25 que já tiveram relações sexuais. Já com o novo exame, após resultados negativos, a recomendação passa a ser de cinco anos. Isso graças à eficácia do teste, que torna a possibilidade do desenvolvimento do câncer em torno de 0,15%, como destaca Wanuzia.

Coleta de exame ginecológico em unidade de saúde do SUS: novo teste de DNA-HPV começa a substituir o papanicolau de forma gradual em todo o Brasil. Foto: Canva

Além do maior intervalo de realização do exame, gerando mais segurança e bem-estar para a paciente, a nova testagem inserida no SUS apresenta outros pontos positivos. É o caso da identificação da possível a presença do vírus HPV com até 10 anos de antecedência ao surgimento das lesões que podem evoluir para o câncer.

“A genotipagem é um marco para o nosso país, pois a biologia molecular é um exame de ponta para a identificação não só do HPV, mas também de muitos outros agentes infecciosos. Ela desempenha um papel importantíssimo no entendimento de algumas doenças, analisando genes e células. Isso possibilita desenvolver terapias mais eficazes e mais específicas, a chamada medicina personalizada”, acrescenta a ginecologista.

De acordo com Miranda, é esperado que a mudança ofereça uma mudança de cenário na saúde pública do Brasil: “Espera-se que a implementação reduza em torno de 70% de casos mais graves da doença”.

Outros problemas e vacinação

Por fim, vale destacar que, além do câncer no colo de útero, o vírus pode causar outros problemas de saúde, como:

“A vacinação contra o HPV é indicada para meninas e meninos de 9 a 14 anos, preferencialmente antes do início da vida sexual. Para quem não foi vacinado na adolescência, a vacina continua sendo recomendada até os 26 anos, mesmo que já tenha havido exposição prévia ao vírus”, finaliza a especialista.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.