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Empresa usada em esquema de cigarro falso movimentou R$ 70 mi, diz MPF

Por Metrópoles 14/06/2025 02:27
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A investigação conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF) no âmbito da operação Libertatis, que apura a produção de cigarros falsificados no Rio de Janeiro e o uso de mão de obra escrava, mostra que somente uma das empresas de fachada ligadas ao grupo movimentou cerca de R$ 70 milhões em um curto período 10 meses, em 2020.

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A denúncia contra 36 investigados aponta que a movimentação se deu em contas bancárias, e também com um grande volume de transações envolvendo dinheiro em espécie.

Segundo a investigação, o grupo atuava de forma organizada e em núcleos. O uso de empresas de fachada era usado para despistar o envolvimento dos integrantes no esquema. Elas emitiam, por exemplo, notas frias e atuavam no braço responsável por lavagem de dinheiro.

O grupo sob suspeita, para o MPF, tem um perfil armado e transnacional, uma vez que os produtos dos crimes foram destinados, em grande parte, ao exterior.

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A investigação é conduzida pela Unidade Nacional de Enfrentamento ao Tráfico Internacional de Pessoas e ao Contrabando de Migrantes (UNTC) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPF.

Ela foi instaurada a partir de denúncia sobre o uso de mão de obra escrava em fábricas de cigarro clandestinas. As investigações mostram que a organização operava em pelo menos três endereços nas cidades de Duque de Caixas, na Baixada Fluminense, e em Paty de Alferes, na região serrana do estado.

Como mostrou a coluna, o MPF denunciou 36 pessoas pelo esquema, e a acusação foi recebida pela Justiça Federal, tornando-os réus.

Um dos denunciados é o bicheiro Adilsinho, que está foragido. Em março, a PF prendeu seu nº2, Luis Verdini, que atuava como assessor do bicheiro e é apontado pela investigação, inclusive, como gerente administrativo da principal empresa de fachada.

Com isso, os suspeitos vão responder pelos crimes de organização criminosa, tráfico de pessoas, redução à condição análoga à de escravo, contrabando, falsificação de documentos, uso de substâncias nocivas à saúde pública, crimes contra as relações de consumo, lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva.

Trabalho escravo

Segundo o MPF, o grupo se organizava em núcleos que incluía a divisão entre líderes do esquema, pessoas dedicadas à lavagem de dinheiro, os gerentes de fábricas, fornecedores de bens, os comerciantes e um traficante de pessoas responsável por aliciar paraguaios.

As investigações revelaram ainda a cooptação de agentes públicos, responsáveis por garantir a segurança privada dos envolvidos.

Durante as apurações, os investigadores encontraram, nas três fábricas do grupo, 49 trabalhadores paraguaios vítimas de tráfico de pessoas, em condições degradantes e situação similar à de escravo.

Os trabalhadores paraguaios eram especializados na produção de cigarros, e foram trazidos do país vizinho mediante fraudes, falas promessas de emprego e ameaças, o que caracteriza o crime de tráfico de pessoas. O MPF aponta que eles foram submetidos, por exemplo, a jornadas exaustivas e restrição da liberdade de locomoção.

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