Início / Versão completa
Geral

Filme revela bastidores e histórias inusitadas de motéis brasileiros

Por Metrópoles 20/06/2025 17:27
Publicidade

Há algo de naturalmente cinematográfico nos motéis brasileiros: letreiros de neon que brilham na noite, entradas discretas que resguardam identidades e quartos temáticos que evocam fantasia. Esse cenário, tão comum quanto misterioso, inspirou a diretora britânica naturalizada brasileira Rachel Daisy Ellis a criar Eros, documentário que estreia nos cinemas com uma proposta ousada: revelar o que se passa por trás das portas fechadas de um motel.

Publicidade
Leia também

A ideia do filme nasceu de uma experiência pessoal. Ao chegar ao Brasil há mais de duas décadas, Rachel foi levada a um motel e ficou intrigada com a estrutura do lugar. “É visível na paisagem urbana, mas esconde totalmente quem entra ali”, conta.

Publicidade

Anos depois, reflexões sobre sexualidade e relacionamentos reacenderam o interesse. Durante uma filmagem experimental, ela percebeu algo essencial: mesmo que o motel esconda os corpos, os sons atravessam as paredes com gemidos, conversas, e até risos. “Quem são essas pessoas?”, ela se perguntou. A partir daí, surgiu o conceito: e se elas se filmassem?

A proposta foi levada a sério. A diretora distribuiu celulares a frequentadores de motéis — casais jovens, trios, parceiros não monogâmicos — e pediu que registrassem suas noites. O resultado foi um retrato delicado das emoções humanas: desejos, dúvidas, afetos, fantasias e solidão.

Segundo Rachel, o mais fascinante surgiu nos instantes fora do sexo — conversas, silêncios, olhares. “Havia algo mágico ali, entre o exibicionismo e a partilha íntima”, diz.

Rachel entregou câmeras de celular para diferentes frequentadores de motéis

Luz, câmera, ação!

A montagem respeita a cronologia de cada encontro, sem cortes narrativos ou voice-over. Cada história tem seu tempo, seu ritmo, sua estética. Um casal debate o significado da abertura em um relacionamento; outro, ligado à fé evangélica, questiona o lugar da sexualidade na vida a dois. Em uma sequência, três pessoas se entregam ao sexo vestidas de padres e freiras — cena que resume a tensão entre desejo e tabu.

Rachel ofereceu liberdade quase total aos participantes: podiam escolher o motel, o que mostrar ou omitir e, depois, participar do corte final. As regras técnicas foram mínimas. O resultado é um conjunto de retratos íntimos, em que os protagonistas são também os narradores da própria experiência.

Mais que um olhar sobre motéis, Eros confronta preconceitos, celebra a diversidade e propõe uma ideia vital da sexualidade: não como tabu, e sim como impulso de vida. “É algo que deixa o mundo mais feliz, mais saudável”, diz a diretora.

Cada história no documentário tem seu tempo, seu ritmo e sua estética

Falar sobre sexo ainda é tabu?

O documentário também levanta uma questão sobre a recepção de cenas de sexo no cinema brasileiro. A diretora nota que parte do público jovem rejeita conteúdos explícitos, como se fossem irrelevantes à narrativa. Para ela, essa recusa sinaliza uma sociedade desconectada do prazer como algo positivo. Ainda assim, acredita em uma abertura crescente no audiovisual para explorar temas ligados ao sexo com liberdade e responsabilidade.

Além de Eros, Rachel também produziu O Último Azul, premiado no Festival de Berlim em 2025. A ficção futurista ambientada na Amazônia, que estreia em agosto, trata de liberdade e desejo em outra chave — mas, para ela, guarda a mesma essência. “Os dois filmes celebram a vida, essa energia vital que nos move”, conclui.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.