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MUNDO

Impressão digital de 43 mil anos é descoberta em pedra por arqueólogos na Espanha

Por Cris Menezes 03/06/2025 09:24 Atualizado em 03/06/2025 09:24
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Pesquisadores descobriram o que pode ser uma das mais antigas impressões digitais humanas já registradas na Europa. A marca foi encontrada em uma pedra no sítio arqueológico de San Lázaro, na região central da Espanha, e foi datada em aproximadamente 43 mil anos. A rocha teria sido manipulada por um neandertal e levada até um abrigo rochoso, onde permaneceu enterrada por milênios.

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O estudo, publicado em 24 de maio na revista Archaeological and Anthropological Sciences, indica que a impressão digital foi deixada intencionalmente sobre um ponto vermelho de ocre — pigmento feito à base de argila — aplicado em uma pedra de granito. A marca foi identificada graças a análises forenses e exames de imagem multiespectral, com apoio de peritos criminais especializados em impressões digitais.

A equipe responsável pela escavação, liderada pela professora María de Andrés Herrero, da Universidade Complutense de Madri, encontrou o objeto em julho de 2022, a cerca de 1,5 metro de profundidade. A forma da rocha, que lembra um rosto com olhos, boca e queixo, chamou a atenção dos pesquisadores desde o início. O ponto vermelho no centro da pedra, possivelmente na posição correspondente a um nariz, reforçou a hipótese de que o objeto teria função simbólica.

Para confirmar a natureza da marca, os arqueólogos recorreram a especialistas em impressões digitais da polícia forense de Madri. Após análises técnicas, foi possível confirmar que se tratava de uma impressão humana — mais precisamente de um neandertal adulto do sexo masculino. A impressão está preservada no local onde o pigmento foi aplicado, o que indica contato direto com o dedo.

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Essa pode ser a impressão digital de hominídeo mais antiga em bom estado já documentada. Há registros anteriores, como uma impressão parcial encontrada na Alemanha em 1963, mas o novo achado apresenta características mais completas e associadas ao uso de pigmento.

Segundo os pesquisadores, a escolha deliberada da pedra por sua forma e a marca deixada com o dedo pintado sugerem intenção simbólica. A hipótese é de que a imagem remeta a um rosto, o que abriria espaço para interpretações ligadas à cognição visual e à capacidade simbólica dos neandertais.

Especialistas como Paul Pettitt, professor de arqueologia paleolítica da Universidade de Durham, no Reino Unido, consideram a descoberta como mais uma evidência da complexidade cultural dos neandertais. “Eles usavam pigmentos e eram capazes de projetar símbolos ou marcas corporais sobre superfícies, o que demonstra imaginação visual e habilidade de representação”, afirmou.

O estudo reforça a ideia de que a diferença entre neandertais e humanos modernos pode ser menor do que se acreditava. Para Herrero, a marca revela um comportamento próximo ao nosso: “Assim como reconhecemos figuras em nuvens, eles pareciam capazes de reconhecer e destacar formas em objetos naturais”.

A equipe agora pretende expandir as análises e buscar outros artefatos semelhantes, com o apoio da tecnologia forense. A colaboração entre arqueologia e ciências criminais tem se mostrado promissora para revelar vestígios invisíveis a olho nu e oferecer novas pistas sobre a vida dos hominídeos pré-históricos.

Informações via CNN Brasil.

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