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Irã ameaça retaliar Israel após bombardeio a emissora estatal em Teerã

Por Metrópoles 16/06/2025 20:27
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Um bombardeio israelense atingiu o prédio da Rádio e Televisão da República Islâmica do Irã (Irib) nesta segunda-feira (16/6), interrompendo um programa transmitido ao vivo. O regime iraniano classificou o ataque como “um ato ignóbil e um crime de guerra” e promete continuar retaliando.

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A explosão ocorreu enquanto a apresentadora Sahar Emami realizava uma crítica contra Israel. As imagens foram compartilhadas pela própria emissora e viralizaram nas redes sociais do mundo inteiro.

Enquanto Emami falava, foi possível ouvir uma forte explosão e as luzes do estúdio se apagaram. A jornalista deixou a bancada correndo, enquanto uma fumaça cinza invadia rapidamente o local. Apesar do impacto, ela não se feriu e retornou mais tarde para continuar a transmissão.

“O regime [israelense] desconhecia o fato de que a voz da revolução islâmica e do Irã em geral não seria silenciada por uma operação militar”, disse Hassan Abedini, funcionário de alto escalão da emissora.

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Pouco antes do bombardeio, o ministro israelense da Defesa, Israel Katz, alertou que a televisão e a rádio estatais iranianas estavam “prestes a desaparecer”. O Exército israelense também emitiu um alerta para a evacuação da área onde fica a sede dos veículos de comunicação iranianos, no nordeste de Teerã.

“Nas próximas horas, as forças armadas israelenses operarão no setor (…) para atacar a infraestrutura militar pertencente ao regime iraniano”, escreveu o coronel Avichay Adraee, porta-voz do Exército. “Cidadãos de Teerã, para sua segurança, por favor, evacuem [esta] área do terceiro distrito”, acrescentou.

A área, um bairro nobre da capital iraniana, abriga, além da Irib, um importante prédio da polícia, as embaixadas do Catar, Omã e Kuwait, o escritório da Organização Internacional para as Migrações (OIM), assim como os escritórios da agência de notícias AFP e vários hospitais.

Apelo ao Conselho de Segurança e aos EUA

Após o ataque, o Ministério das Relações Exteriores do Irã reagiu, fazendo apelos à mais alta instância das Nações Unidas e a Washington. O regime iraniano também teria pedido ao Catar, à Arábia Saudita e a Omã que interviessem.

“O Conselho de Segurança da ONU deve agir para impedir que o agressor genocida cometa mais atrocidades contra nosso povo”, afirmou o porta-voz da pasta, Esmaeil Baqaei, referindo-se à Israel.

Logo depois, o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que o presidente americano, Donald Trump, pode convencer o governo israelense a colocar um fim aos ataques “apenas com um telefonema”. “Israel deve pôr fim à sua agressão, e na ausência de uma cessação total da agressão militar contra nós, nossas represálias continuarão”, acrescentou.

Já o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, declarou à chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, que a ofensiva israelense ainda não terminou. “Ressaltei que ainda não concluímos o trabalho e agiremos para finalizá-lo”, escreveu na rede social X.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou à rede de TV americana ABC que a morte do aiatolá Ali Khamenei, “colocará fim ao conflito”. Ao ser questionado se Israel tem como alvo o guia supremo iraniano, o premiê respondeu que seu Exército “faz o que tem de fazer”.

“Estamos mudando a face do Oriente Médio”, disse Netanyahu.

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Fuga em massa de Teerã

Os bombardeios israelenses deixaram pelo menos 224 mortos desde a última sexta-feira (13/6) no Irã, segundo dados do Ministério da Saúde iraniano. Do lado israelense, o número de vítimas da retaliação subiu nesta segunda-feira para 24 mortos, indicou o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

O governo israelense alega que a ofensiva tem o objetivo de impedir o avanço do programa nuclear iraniano. Inimigo histórico do Irã, Israel diz temer pela existência do país caso Teerã desenvolva armas atômicas.

A falta de perspectiva ao fim dos bombardeios leva a população iraniana a fugir em massa. Nesta segunda-feira, um imenso engarrafamento era registrado nos arredores de Teerã. Sem previsão para a reabertura do espaço aéreo, a via terrestre é a única forma de deixar a capital.

Leia outras reportagens como esta em RFI, parceiro do Metrópoles.

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