3 de julho de 2026

MPF investiga atuação de forças de segurança do Acre em protesto durante evento internacional em Rio Branco

MPF investiga atuação de forças de segurança do Acre em protesto durante evento internacional em Rio Branco

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um procedimento administrativo para apurar a existência e a aplicação de protocolos de atuação das forças de segurança do Acre em situações de crise envolvendo manifestações e protestos populares. A iniciativa surgiu após análise dos acontecimentos do último dia 23 de maio, durante a 15ª Reunião Anual da Força-Tarefa dos Governadores pelo Clima e as Florestas (GCF), realizada em Rio Branco (AC).

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Segundo o MPF, relatos da imprensa e registros do próprio órgão apontam que houve confronto entre manifestantes e agentes de segurança, com uso imediato de força física e a retirada forçada de participantes do protesto. O procurador da República Lucas Costa Almeida Dias afirmou que não foram observados protocolos adequados ou boas práticas de mediação, com a força sendo empregada como primeira resposta, sem tentativa prévia de diálogo ou negociação.

“O direito ao protesto pacífico é assegurado pela Constituição Federal e é essencial para a democracia e o exercício da cidadania”, destacou o procurador.

O MPF também ressaltou que padrões internacionais de direitos humanos reconhecem as manifestações como parte dos direitos à liberdade de expressão, associação e reunião pacífica — e fundamentais para o fortalecimento da democracia.

Com base em normas nacionais e internacionais, o MPF solicitou às autoridades estaduais uma série de informações sobre o funcionamento e a aplicação dos protocolos operacionais em contextos de protesto:

Existência de diretrizes formais para atuação em manifestações públicas;

Procedimentos que priorizem comunicação, mediação e negociação antes da intervenção física;

Critérios que orientem o uso proporcional da força;

Capacitação dos agentes em direitos humanos e estratégias não violentas;

Garantias de conformidade com leis nacionais e tratados internacionais;

Mecanismos de responsabilização por eventuais excessos;

Análise de falhas e medidas de aprimoramento após incidentes.

A investigação busca verificar se o sistema de segurança pública estadual atua de maneira alinhada com a Resolução nº 6/2013 do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, com a Resolução CNMP nº 278/2023, com o recente Decreto nº 12.341/2024 e com tratados internacionais que regem o uso proporcional da força por agentes públicos.

A atuação do MPF reforça a necessidade de garantir o direito à manifestação pacífica, sem repressão desproporcional, e de promover práticas de segurança pública pautadas pelo respeito aos direitos humanos e à legalidade.