13 de julho de 2026

Pagamentos por obras suspeitas foram feitos às vésperas das eleições de 2022, revela relatóro

Pagamentos por obras suspeitas foram feitos às vésperas das eleições de 2022, revela relatóro

Os documentos analisados pelo YacoNews revelam um dado no mínimo preocupante: pagamentos milionários por obras sem execução comprovada foram realizados justamente no ano eleitoral de 2022, quando o então prefeito Mazinho Serafim tentava manter seu grupo político no poder.

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Segundo o relatório da Secretaria Municipal de Obras, parte das verbas de convênios federais — com prazos de vigência já vencidos ou sem prorrogação formal — foram liberadas mesmo com pendências graves de documentação técnica e de execução.

O relatório aponta que os pagamentos ocorreram mesmo com as obras paralisadas, e sem justificativa legal registrada. Em um dos contratos, R$ 596 mil foram pagos, mesmo sem fotos, medições, diário de obra ou qualquer documento obrigatório que comprove o andamento dos serviços.

“Obra paralisada sem justificativa. Convênio vencido. Risco de glosa total em eventual prestação de contas.”
— Trecho do relatório técnico analisado

Os valores, conforme constam no relatório, foram repassados pela Caixa Econômica Federal a partir de convênios celebrados entre o município e o governo federal. Em todos os casos, a responsabilidade da correta aplicação recai sobre a Prefeitura, que deveria, em tese, prestar contas e garantir a lisura dos contratos.

Mas, segundo documentos obtidos pelo YacoNews, nenhuma prorrogação contratual foi devidamente registrada, o que pode configurar uso indevido de recursos públicos em período vedado pela legislação eleitoral.

A coincidência entre a liberação de recursos em ano eleitoral e a ausência de comprovação das obras reforça a suspeita de que os contratos possam ter sido usados com fins eleitoreiros.

Se confirmado, o ato pode ser enquadrado em abuso de poder político e econômico, com possíveis consequências na esfera civil, criminal e eleitoral.

Segundo a Lei nº 9.504/97 (Lei das Eleições), é proibido o uso de recursos públicos para beneficiar campanhas, direta ou indiretamente. Obras paralisadas com pagamentos em ano eleitoral, sem justificativa ou transparência, podem ser interpretadas como afronta direta ao interesse público.

A denúncia foi feita oficialmente à Caixa Econômica Federal pelo Controlador-Geral do Município, Pablo Fonseca da Silva, em nome da gestão do atual prefeito Gerlen Diniz, que promete “não deixar pedra sobre pedra” na apuração dos contratos.

Órgãos como o Ministério Público Federal, a CGU e o Tribunal de Contas da União devem agora analisar os documentos e definir se há ou não crime eleitoral, administrativo ou desvio de verba pública.

Enquanto isso, moradores de Sena Madureira seguem convivendo com ruas sem pavimentação, lama, poeira e um gosto amargo: o de saber que recursos que poderiam ter melhorado sua vida foram parar em contratos duvidosos às vésperas da eleição.

CONFIRA O RELATÓRIO NA ÍNTEGRA: