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Retrato da decadência (por André Gustavo Stumpf)

Por Metrópoles 21/06/2025 07:27
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É mais fácil matar um elefante, do que retirar seus despojos da sala. O ditado é antigo, mas se aplica à confusão político-militar que o mundo está passando sob a batuta histriônica de um presidente dos Estados Unidos que se comporta como adolescente em busca de novas emoções. Os tempos atuais apresentam profundas modificações na política internacional e no cenário do comércio entre as nações. Chama atenção a vertiginosa queda do dólar e no sentido inverso a vertiginosa valorização do ouro, quase cem por cento em pouco mais de um ano. A moeda norte americana está sendo colocada sob suspeição em todos os centros financeiros do mundo.

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A decadência norte-americana assusta. A queda do dólar é o meio encontrado por governos de países menos desenvolvidos para aumentar exportações, encarecer importações e elevar o saldo comercial. É uma prática velha conhecida dos brasileiros. Volta e meia um governo resolve fazer ajuste no câmbio e eleva o preço das moedas fortes. O brasileiro deixa de viajar para o exterior, reduz compras no estrangeiro e passa a privilegiar o produto nacional, embora mais caro. País rico não costuma cometer este tipo de plano. É política de pobre.

As tarifas extraordinárias, chamadas de compensatórias pelo presidente dos Estados Unidos, não resultaram nada de positivo até o momento. Ele afirmou com todas as letras, que havia uma fila de representantes de países querendo negociar com Washington. “Eles querem beijar a minha bunda”(sic). Mas até agora apresentou apenas um acordo discreto com o Reino Unido, que sempre foi sócio nas ações norte-americanas no mundo. A nação começou sua vida na qualidade de colônia britânica. Rompeu laços políticos, mas jamais se distanciou da Pátria Mãe. Além deste acordo, não houve mais nenhum outro conhecido e divulgado. Com a China, ocorreu um entendimento provisório de sessenta dias. Uma espécie de cessar-fogo temporário.

No exercício da política externa, Donald Trump é um homem de negócios. Só enxerga o dólar na frente dele. Criou um cartão de cinco milhões de dólares para quem deseja receber o green card, que dá direito a viver e trabalhar no país. O dinheiro será destinado a reduzir a dívida, que ultrapassa a casa de vários trilhões de dólares. Não vai resolver o problema, mas ele anuncia que já apareceram mais de setenta mil interessados. Ele faz negócios para sí e sua família.

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Recentemente, na Arábia Saudita, seu filho negociou à vontade. O presidente recebeu de presente um avião Boeing 747, com todos os luxos possíveis e imagináveis. Este foi o agrado que recebeu pelos bons negócios feitos na sua rápida passagem pelos países árabes. Nos Estados Unidos acabou de lançar o trump phone, aparelho dourado, que teria algumas vantagens sobre os concorrentes.

O presidente disse que terminaria a guerra da Ucrânia em poucos dias. Errou completamente. O conflito se tornou mais violento, as tropas da Ucrânia resistem há quatro anos. Recentemente fizeram importante incursão em território inimigo e colocaram fora de ação mais de um terço da aviação russa. Os russos, por sua vez, atacam sem piedade a capital, Kiev. Em suma a guerra escalou, ao invés de caminhar para uma possível paz ou pelo menos para um cessar fogo. Tudo piorou. Trump e Putin são amigos. Mas os interesses foram maiores que as amizades.

No caso de Israel, foi mais longe. Deu apoio político e militar ao estado judeu. Prepara o lançamento da bomba capaz de perfurar o solo (a temida CBU 57MOP) para atingir as instalações nucleares que afirma existir. A CIA, órgão de espionagem do governo dos Estados Unidos, reafirma que o Irã não está construindo a bomba atômica. Na guerra do Iraque ocorreu o mesmo fenômeno: o argumento foi de que Saddam Hussein estava construindo armas de destruição em massa. Mentira. As forças armadas dos Estados Unidos destruíram o país, saquearam suas preciosidades, assumiram o negócio do petróleo. Não produziram nada de positivo, nem encontraram a paz.

A agressão absurda e desmedida entre Israel e Irã é o capítulo final da Segunda Guerra Mundial. Judeus saíram da Europa e conseguiram um país para viver. Expulsaram os locais. Aprenderam as técnicas de genocídio e as aplicam em Gaza. Agora enfrentam inimigo mais poderoso. O Irã, antiga Pérsia, tem mais de dois mil anos de história e noventa milhões de habitantes. É um país de renda média, com governo autoritário de fundamento religioso. A solução diplomática tem menos custo financeiro e exige menor perda de vidas humanas. Mas, faltam estadistas. A decadência do Império está à vista de todos. É difícil remover o cadáver da sala.

 

André Gustavo Stumpf, jornalista (andregustavo10@terra.com.br)

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