4 de junho de 2026

Acre entra na mira do STF em debate sobre emendas impositivas da Assembleia Legislativa

Acre entra na mira do STF em debate sobre emendas impositivas da Assembleia Legislativa

O estado do Acre foi citado de forma crítica pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, durante audiência pública realizada nesta sexta-feira (4) sobre as chamadas emendas parlamentares impositivas nos estados brasileiros.

O ministro apontou que o Acre adotou um modelo considerado rigoroso e preocupante, ao obrigar o governo estadual a destinar valores fixos, todos os anos, para emendas individuais de deputados estaduais — mesmo em cenários de queda na arrecadação. Dino alertou para o risco de engessamento orçamentário e comprometimento da autonomia do Executivo.

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“A União tem mais instrumentos de controle e arrecadação. O modelo do Acre, com vinculações rígidas, pode ser mais severo do que o federal e comprometer a gestão pública estadual”, afirmou o ministro.

Segundo levantamento apresentado durante a audiência, cada deputado da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) tem direito a cerca de R$ 4 milhões por ano em emendas impositivas, o que representa R$ 96 milhões por mandato (quatro anos). O valor é obrigatório, mesmo que o Estado esteja em crise financeira.

O Acre foi um dos exemplos mais mencionados no debate promovido pelo STF, que discutiu os impactos fiscais e jurídicos dessas imposições no orçamento público. Em muitos estados, as emendas parlamentares passaram a representar valores relevantes no orçamento — algo que, segundo especialistas, pode ameaçar a execução de políticas públicas essenciais.

O presidente da Associação Nacional de Procuradores dos Estados (Anape), Vicente Braga, afirmou que o debate sobre o controle das emendas estaduais é urgente. “Hoje, temos uma realidade em que o Executivo é obrigado a pagar essas emendas mesmo sem disponibilidade financeira imediata”, destacou.

Dos 27 estados da federação, 23 já adotaram algum tipo de emenda impositiva. No entanto, o modelo acreano foi apontado como um dos mais rígidos e preocupantes, especialmente por sua proporcionalidade em relação à receita do Estado, que é considerada uma das menores do país.

A audiência faz parte de um debate mais amplo que pode culminar em mudanças legais ou até intervenção do Supremo em relação ao atual modelo. O alerta de Flávio Dino reforça que o tema deve ganhar novos desdobramentos nos próximos meses.