2 fevereiro 2026

Ato “Parem de Nos Matar” leva 82 cruzes ao Palácio Rio Branco em protesto contra o feminicídio no Acre

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Na manhã desta sexta-feira (25), um protesto silencioso e simbólico tomou conta da frente do Palácio Rio Branco: 82 cruzes fincadas no chão, representando mulheres vítimas de feminicídio no Acre entre 2018 e junho de 2025. A manifestação, intitulada “Parem de Nos Matar”, marcou o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e reuniu ativistas, coletivos, representantes de entidades da sociedade civil e familiares de vítimas.

Além das cruzes, o ato também contou com velas acesas, cartazes, faixas e falas emocionadas em defesa da vida das mulheres. Segundo os organizadores, o objetivo da mobilização nacional é chamar atenção para o avanço da violência de gênero, cobrar políticas públicas efetivas de proteção, acolhimento e justiça, e lembrar que cada cruz representa uma vida interrompida brutalmente.

Levantamentos apresentados pelos manifestantes revelam que, em sete anos, o estado registrou 158 tentativas de feminicídio. Para Almerinda Cunha, da Associação de Mulheres Negras do Acre, o número elevado de casos reflete o abandono institucional e a ausência de políticas de prevenção.

“O feminicídio é um crime evitável. Muitas mulheres chegam a procurar o sistema de saúde, a delegacia ou o CRAS, mas não encontram acolhimento ou orientação. Outras sequer sabem que estão em situação de risco. Precisamos de serviços mais preparados e próximos da população”, alertou.

Almerinda ainda destacou que a falta de informação e de acesso a direitos básicos contribui para que as vítimas permaneçam em relações abusivas, muitas vezes sem reconhecerem os sinais da violência psicológica, patrimonial ou física.

“Pedimos aos governantes que priorizem políticas voltadas à proteção das mulheres. Não dá mais para aceitar esse ciclo de morte. Chega de nos matar”, reforçou a ativista.

A procuradora de Justiça Patrícia de Amorim Rêgo, do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), também participou do ato e reforçou a necessidade de um olhar mais atento da sociedade diante da violência doméstica.

“Na maioria dos casos, o feminicídio é precedido de outras violências. E essas violências são percebidas por parentes, vizinhos, amigos, mas muitos escolhem não se envolver. O silêncio pode ser cúmplice da morte. Precisamos agir, incentivar as denúncias, acolher essas mulheres”, disse.

Para ela, cada cruz simboliza não só uma vida perdida, mas também o fracasso coletivo em proteger essas mulheres.

“Ao contrário do homicídio, o feminicídio pode ser evitado. É inadmissível que, em pleno século 21, mulheres ainda morram pelo simples fato de serem mulheres. Precisamos reagir como sociedade”, concluiu.

O ato, carregado de emoção e resistência, encerrou com um apelo uníssono: que a memória das vítimas se transforme em ação e que o Acre – e o Brasil – deem passos concretos para pôr fim à violência de gênero.

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