8 de julho de 2026

Câmara aprova projeto que altera licenciamento ambiental após 21 anos

Câmara aprova projeto que altera licenciamento ambiental após 21 anos
Câmara aprova projeto que altera licenciamento ambiental após 21 anos

Na madrugada desta quinta-feira (17/7), a Câmara dos Deputados aprovou um projeto que altera as regras do licenciamento ambiental no Brasil após 21 anos de tramitação no Congresso. A decisão causou um grande impacto nas redes sociais, até mesmo porque a liberação aconteceu com 267 votos a favor e 116 contra.

A proposta agora seguirá para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que poderá aprovar ou vetar trechos do texto. Nos últimos anos, o projeto dividiu opiniões entre ambientalistas, que veem um risco maior de degradação, e os defensores, que afirmam que a medida reduz a burocracia e estimula o desenvolvimento.

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Principais mudanças no licenciamento ambiental
O texto aprovado introduz uma série de modificações no sistema de licenciamento, incluindo:

Licença especial para obras consideradas estratégicas pelo governo federal, acelerando autorizações independentemente do impacto ambiental;

Dispensa de licenciamento para ampliação de estradas, atividades agropecuárias, sistemas de tratamento de água e esgoto (até a universalização do saneamento) e pequenas barragens de irrigação;

Renovação automática de licenças, mediante declaração online do empreendedor, desde que não haja mudanças no projeto;

Autodeclaração nacional para empreendimentos de médio porte, facilitando a aprovação após envio de documentos;

Transferência de competência para estados e municípios em licenças de mineração e desmatamento na Mata Atlântica, reduzindo a atuação do Ibama e do Conama;

Exclusão de terras tradicionais não regularizadas da análise, considerando apenas áreas indígenas homologadas e territórios quilombolas oficializados.

Debate acirrado durante a votação
O período de votação foi marcado por muitas tensões e discussões entre os parlamentares, necessitando até mesmo da intervenção da polícia. O relator, deputado Zé Vitor (PL-MG), negou que o projeto flexibilize normas ambientais: “Garantimos análise de risco nos estudos, algo que hoje não é obrigatório.”

Duda Salabert (PDT-MG), uma das deputadas que fazem parte da oposição, classificou a proposta como “uma tragédia que pode repetir crimes ambientais como os de Mariana e Brumadinho.” O Observatório do Clima, rede que reúne 133 organizações ambientais, emitiu nota chamando o texto de “o maior retrocesso desde a ditadura” e prometeu judicializar a questão.